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7 de Novembro de 2013 | Colunas | Categoria

CUT São Paulo lança cartilha para trabalhadores imigrantes

Proposta é ´desiludir´ o migrante sobre as condições de vida no Brasil e informar sobre seus direitos sociais e trabalhistas

A CUT de São Paulo lança hoje (6), às 18h, na sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, no centro da capital, cartilha de orientação para imigrantes. A iniciativa foi motivada pelo alto número de trabalhadores de outros países submetidos à informalidade e a condições precárias no Brasil.

“Ao debater o trabalho informal você se depara com a questão dos imigrantes, que, na grande maioria, estão em condições precárias, subumanas de trabalho. Essa mão de obra migrante certamente trabalha por um prato de comida, vive com medo e escondida", afirmou o presidente da central em São Paulo, Adi dos Santos Lima, durante seminário realizado nesta manhã, no sindicato.

A ideia é “desiludir” o trabalhador recém-chegado que, muitas vezes, tem informações novelescas sobre viver no Brasil, como foi o caso da paraguaia Cristiana Romero, de 25 anos, há dois em São Paulo. "No Paraguai, tem muitas novelas brasileiras que não mostram o Brasil de verdade", disse. A jovem foi submetida a trabalho excessivo e a muito assédio até ter acesso a informação e fazer valer seus direitos.

A cartilha, com distribuição gratuita, contém informações que foram úteis a Cristiana, como os direitos sociais e trabalhistas dos estrangeiros no Brasil. Aponta o caminho para que busquem proteção na Justiça e no Ministério do Trabalho, além de elencar movimentos sociais e associações que tratam da defesa do imigrantes.

Com a iniciativa, a central se opõe ao discurso contrário à entrada de trabalhadores estrangeiros. “Muitas vezes tem aquele discurso de: ´Somos contra o imigrante porque ele enfraquece a força de trabalho´, mas é justamente o contrário. Esse guetos de superexploração destroem a base econômica do trabalhador”, disse o secretário de Relações do Trabalho da CUT-SP, Rogério Giannini.

“O Brasil vive uma contradição: é visto como um país acolhedor, mas, ao mesmo tempo se instalou aqui, por razões sociais e econômicas, essa possibilidade de concentrar exploração. Então é um país que, se não tem xenofobia expressa em sua população, tem o racismo, o machismo que entorna um caldo cultural que se expressa na exploração dos estrangeiros”, analisou Giannini. “É um duplo trabalho de mostrar as mazelas da sociedade brasileira, descortinar e fazer um debate político-social. Desiludir um pouquinho e também trazer essa rede de apoio”, definiu o sindicalista.

Estruturas produtivas

Para o fiscal da Superintendência do Trabalho e Emprego em São Paulo Renato Bignami, no entanto, a causa dos problemas relacionados às comunidades migrantes que chegam ao Brasil, especialmente em São Paulo, está relacionada a estruturas produtivas que exploram mão de obra vulnerável e não a questões raciais ou de origem nacional. “O trabalho que é precário e pega a vítima ideal: o migrante irregular que não tem documentação e está em um país onde não conhece as regras e seus próprios direitos.”

Apesar do aumento do combate à submissão dessa mão de obra a condições análogas à escravidão, no entanto, ele ainda aponta a necessidade de outras políticas para proteger os imigrantes. “Hoje a gente tem um afluxo muito grande de imigrantes. E o estado parece que não estava acostumado a isso. É importante pensar em políticas de inserção. Temos que pensar em políticas de trabalho, de moradia, de combate aos sistemas produtivos que se apropriam dessa mão de obra vulnerável”, afirmou Bignami.

Da Rede Brasil Atual

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