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14 de Março de 2019

Djalma Bom e a greve geral de 1979

"A luta dos trabalhadores no mundo inteiro só vai terminar de acordo com sua emancipação como classe, que é a nossa luta"

Um dos líderes da greve de 1979, Djalma Bom esteve na direção do Sindicato por dois mandatos, 1975 e 1978.
Crédito: Adonis Guerra

“A greve de 1979 foi uma greve que aconteceu às vésperas da posse do ditador Figueiredo como presidente da República. Eu me lembro muito bem que os próprios articulistas daquele momento diziam que os metalúrgicos estavam fazendo uma provocação contra as autoridades constituídas no nosso País.

E a nossa ação, a nossa reação em cima dessa afirmação era de que os trabalhadores metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e a Direção do Sindicato queriam manter as conquistas realizadas na greve de 1978. Foi um acordo totalmente benéfico para a categoria metalúrgica e a gente queria, além de manter essas conquistas de 1978, avançar em outras para 1979. Esse foi o primeiro fator.

O segundo ponto foi o seguinte: se em 1978 a gente realizou uma greve por fábrica, por empresa, começando na Scania, em 1979 nós fizemos uma avaliação com a direção do Sindicato de que a classe patronal, a FIESP, estava muito bem preparada e nós não tínhamos condições de realizar uma greve por empresa. Trabalhamos todo o período da preparação dessa greve, nas assembleias em portas de fábricas, nos bairros, para que pudesse ser realizada uma mobilização geral de toda a categoria.

Um fator significativo foi a intransigência da classe patronal em negociar com a direção do Sindicato dos Metalúrgicos. [Eles tinham que] Fazer uma avaliação política, o que esses metalúrgicos e essa Direção estavam querendo no momento. Se eles tiveram suas reivindicações atendidas em 1978 por que eles estão querendo agora continuar fazendo outras reivindicações? 

Nós [metalúrgicos] achávamos que eram reivindicações legítimas e permanecíamos firmes nas portas de fábricas. A greve demorou 15 dias. Depois, durante todo o processo de negociação, [houve a] intransigência da classe patronal contra os interesses da classe trabalhadora, grandes assembleias no Vila Euclides, a confirmação e afirmação da liderança do companheiro Lula.

 

Djalma durante conversa no CEMPI fala da importância em resgatar os 40 anos da greve de 1979 que garantiu avanços importantes dos direitos aos trabalhadores na base.
Crédito: Adonis Guerra

O salão do nosso Sindicato comportava apenas três mil lugares e, pela quantidade de gente que vinha participar, não cabia mais ninguém nas dependências da Sede nem nas ruas da região. Por isso, as assembleias eram feitas no estádio de Vila Euclides. Foram aquelas assembleias de 80, 90, 100 mil pessoas e a confirmação e autenticidade do companheiro Lula que marcaram nossas ações.

Me lembro muito bem da trégua e que a classe patronal nos procurou para que acontecesse a negociação com o Sindicato. A diretoria do Sindicato e o Lula, pela primeira vez, pediram um voto de confiança dos metalúrgicos. Houve insatisfação por parte de alguns trabalhadores na assembleia, mas enfim foi aprovada a trégua de 45 dias.

Tinha a intervenção no Sindicato, já tinha um interventor e, depois desse período, houve uma assembleia novamente no Vila Euclides com uma proposta não muito satisfatória a que os metalúrgicos estavam pedindo, mas eu acho que naquele momento histórico, para que a gente pudesse registrar, naquele momento para os trabalhadores de São Bernardo do Campo e Diadema era muito mais importante a volta da Direção do Sindicato como seu legítimo representante do que até as próprias reivindicações econômicas e por melhores condições de trabalho.

A Direção colocou em votação a proposta da FIESP, os metalúrgicos compreenderam que aceitando a proposta da classe patronal a Direção teria a possibilidade de retornar ao Sindicato o quanto antes.

Nós voltamos em junho de 1979 e já em agosto começamos a Campanha Salarial para a greve de 1980, que é outra história. A luta dos trabalhadores no mundo inteiro só vai terminar de acordo com sua emancipação como classe, que é a nossa luta”.

 

CEMPI - Centro de Memória, Pesquisa e Informação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

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