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9 de Abril de 2019

Sindicato no chão de fábrica: 20 anos dos Comitês Sindicais de Empresa

Em 19 de julho de 1999, os primeiros CSEs da história dos Metalúrgicos do ABC tomam posse a partir da nova organização sindical aprovada no 2º Congresso da categoria entre dezembro de 1996 a maio de 1997.
(Crédito: Raquel Camargo) 

 

Vinte anos se passaram desde o primeiro processo eleitoral dos Comitês Sindicais de Empresas, os CSEs, que mudou a forma de organização dos Metalúrgicos do ABC. Em abril de 1999, a categoria elegia seus 196 dirigentes, trabalhadores em 69 empresas e aposentados, para formar a diretoria de base dos já Metalúrgicos do ABC.

A eleição aconteceu nos dias 12 e 13 de abril daquele ano. Na Volks, maior fábrica em números de trabalhadores na época e uma das poucas que houve disputa por duas chapas, 58% dos 12 mil eleitores votaram na chapa 1 do CSE, contra 42% que apoiaram a chapa da oposição.

Em maio – exatamente nos dias 26, 27 e 28 –, foi a vez de escolher o Conselho da Executiva da Direção e Conselho Fiscal na chapa encabeçada pelo então presidente Luiz Marinho e seus outros 26 membros.

A categoria reafirmou a proposta da entidade, de luta pelo emprego e em defesa dos direitos, e escolheu a Chapa 1 para permanecer à frente do Sindicato nos três anos seguintes com 96,47% dos votos de 33.998 associados que votaram.

Em números, a Chapa 1 obteve 32.797 de um universo de 50.068 metalúrgicos aptos a votar, o que correspondeu a 67,90%. Os votos brancos somaram 783 e os nulos 418. A posse da Direção aconteceu em 19 de julho seguinte (foto).

“A partir dessa eleição, a organização no chão de fábrica assume uma importância ainda maior. Os trabalhadores passam a contar com um diretor do Sindicato que atenderá diretamente as demandas dos companheiros ao pé da máquina e, ao mesmo tempo, irá trazer e levar às empresas as linhas mestras de atuação da categoria”, afirmou o dirigente na época.

Uma vida e futuro melhores, com dignidade e emprego, davam rumo às ações do Sindicato naquela campanha eleitoral. Com essa visão ampla, a atual diretoria aprofundou o significado de “Sindicato, uma questão de classe” para um novo enfoque, o do “Sindicato Cidadão”.

E Lula, como ex-presidente da categoria e presidente de honra do Partido dos Trabalhadores, reconheceu essa nova visão do sindicalismo e afirmou que “não adiantava lutar pelo bem-estar do trabalhador na fábrica se ele e sua família não tinham acesso à moradia, educação e saúde”.

1999-2019

A última eleição, a sétima da história dos CSEs, aconteceu em 2017 e o primeiro turno foi realizado nos dias 14 e 15 de março com a eleição de 234 representantes para os CSEs e para o Comitê Sindical dos Aposentados, o CSA.

O então secretário-geral do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, foi eleito com 93,8% dos votos válidos para presidir os Metalúrgicos do ABC no triênio 2017-2020 junto a chapa para o Conselho da Executiva da Direção e o Conselho Fiscal.

Desta vez, os trabalhadores votaram nos dias 18 e 19 de abril em 134 urnas. O comparecimento dos metalúrgicos aptos a votarem foi de 73%, com 21.861 eleitores.

“O processo eleitoral sempre fortalece a nossa luta contra a retirada dos direitos. Tenho certeza que os 234 diretores eleitos nos CSEs darão conta do recado e isso só é possível com a companheirada que depositou seu voto de confiança. Só construiremos uma sociedade mais justa e igual com a unidade da classe trabalhadora”, disse em entrevista a Tribuna Metalúrgica após eleito.

 

Comissões de Fábricas fortalecidas após 2º Congresso da categoria 

Capa da Tribuna Metalúrgica de 15 de maio de 1997 traz o debate da nova organização sindical
durante o 2º Congresso dos Metalúrgicos do ABC.


A proposta da Direção do Sindicato ter, pelo menos, um diretor sindical em cada fábrica foi levada adiante durante o 2º Congresso dos Metalúrgicos do ABC entre dezembro de 1996 e maio de 1997. Essa foi a forma de ampliar a organização e as conquistas da categoria com os chamados Comitês Sindicais de Empresas, os CSEs.

Segundo Tribuna Metalúrgica, a intenção era colocar o Sindicato diretamente no chão de fábrica, ao lado do trabalhador.

O CSE não significou o fim da Comissão de Fábrica ou da CIPA. “Ao contrário, estimula ainda mais o fortalecimento desses organismos, procurando inclusive aplicar nas empresas a experiência do Sistema Único de Representação, o SUR, que já existe na Scania, por exemplo”, defendeu Marinho na ocasião.

"Com a chegada da pluralidade sindical -- sindicatos convivendo uma mesma base e disputando entre si a hegemonia da representação -- houve um esforço maior dos membros das comissões para apresentar e aplicar um programa e uma prática de trabalho ainda melhor aos companheiros nas fábricas", acrescentou o dirigente.

 

CEMPI – Centro de Memória, Pesquisa e Informação do Sindicato

A proposta da diretoria de cada fábrica ter, pelo menos, um diretor foi levada à frente durante o 2º Congresso dos Metalúrgicos do ABC entre dezembro de 1996 a maio de 1997. Essa foi a forma de ampliar a organização e as conquistas da categoria com os chamados Comitês Sindicais de Empresas, os CSEs.

Segundo Tribuna Metalúrgica da época, a intenção era colocar o Sindicato diretamente no chão de fábrica, ao lado do trabalhador.

O CSE não significou o fim da Comissão de Fábrica ou da CIPA. “Ao contrário, estimula ainda mais o fortalecimento desses organismos, procurando inclusive aplicar nas empresas a experiência do Sistema Único de Representação, o SUR, que já existe na Scania, por exemplo”, defendeu Marinho na ocasião.

Com a chegada da pluralidade sindical haverá um esforço maior dos membros das comissões para apresentar e aplicar um programa e uma prática de trabalho ainda melhor aos companheiros nas fábricas.
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