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16 de Outubro de 2008 | Notícias

Dinheiro dado aos especuladores acabaria com a fome no mundo

Governos colocaram 16 vezes mais dinheiro no sistema financeiro internacional do que o necessário para acabar com a fome no mundo. Na Índia, presidente Lula pede mais produção contra a crise.

             
Falta vontade política para acabar com a pobreza

A montanha de dinheiro que os governos dos países desenvolvidos injetaram para salvar o sistema financeiro mostra que existe dinheiro para acabar com a pobreza no mundo. Porém, falta vontade política da maioria dos governantes.
Entre euros e dólares, os Estados Unidos e os países europeus deram R$ 5 trilhões aos banqueiros e especuladores.
Esse é o raciocínio de Oded Grajew, um dos idea-lizadores do Fórum Social Mundial, em artigo publicado no último domingo no jornal Folha de São Paulo. Ele lembrou que a ONU estima serem necessários 150 bilhões de dólares (R$ 300 bilhões) anualmente para acabar com a fome no mundo. Hoje, dois bilhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.
Além dos gastos com os prejuízos da especulação financeira, os países gastam 1 trilhão de dólares (2 trilhões de reais) em armas e operações militares a cada ano.
Falta compromisso
Grajew escreveu que não existe falta de idéias e nem de recursos para acabar com a pobreza e a fome e proporcionar uma vida digna a todos, com garantia de um desenvolvimento sustentável.
"O problema é a falta de vontade política da maioria dos governantes", protestou.
Para ele, esses governantes não agem nos assuntos que não os afetam diariamente ou aos financiadores de suas campanhas, mas não perdem tempo para combater a crise financeira, pois esta atinge diretamente a vida deles.
"Governantes não vivem na pobreza, não passam fome e nem participaram pessoalmente das guerras que declaram", lembrou.
Por isso, defendeu, é preciso acabar com o financiamento particular nas campanhas eleitorais e estimular a participação ativa da sociedade no debate e na execução dos orçamentos públicos.
Oded Grajew acredita que a sociedade não deve esperar novas catástrofes para exigir a mudança de um modelo de crescimento insano por um que se preocupe com o desenvolvimento econômico, social e ambientalmente sustentável.


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