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5 de Março de 2009 | Notícias | Saúde

Saúde - Cabeças vazias

Na semana passada recebi um correio eletrônico de um trabalhador de uma montadora que era exatamente assim:
Tenho 23 anos, trabalho há cinco anos como montador, estou no último ano de Administração e gostaria de dizer que tenho achado muito legais os artigos das quintas feiras na coluna da saúde.
Respondi agradecendo e aproveitei para saber, especificamente, o que o agradava mais nos artigos.
Algumas horas depois veio a resposta.
O que ele mais gostava era o fato de que os textos davam margem a várias interpretações e deixavam muitas coisas nas entrelinhas. Além disso, muitas vezes não havia um final, ficando para o leitor a conclusão. Ele disse, ainda, que pensar era um privilégio de poucos, raramente dispunha de tempo para pensar e, na escola e até na faculdade, a maioria daquilo que lia vinha de forma afirmativa, sem deixar margens para questionamentos ou para interpretações. Era só ler, entender, memorizar e reproduzir.
Fiquei pensando até que ponto isso vem acontecendo e quais os motivos. Lembrei-me que, com o avanço das ciências e do capitalismo, o pensamento filosófico foi relegado ao desprezo.
Pensamento não gera nada, não produz nada, é perda de tempo. Para o capitalismo onde tempo é dinheiro, importante é fazer, agir, e isso de pensar é para os gênios. Os demais devem seguir seus conselhos e obedecer as instruções.
Mas, há algo errado nisso.
O que diferencia nós, humanos, dos demais animais, é justamente a capacidade de pensar e de expressar esses pensamentos pela linguagem falada, escrita ou até por alguma forma artística como a música, a pintura, escultura etc.
Ao renunciar à nossa capacidade de pensar passamos a agir como os outros animais. Ocupamos nosso tempo buscando alimentos, proteção e outras coisas indispensáveis para manter-nos vivos. E isso inclui o consumo de uma enorme quantidade de produtos que nos fazem acreditar serem de importância vital para nós.
Comece a ler, a escrever e a pensar. Quando pensamos acendemos uma luz em nós mesmos. E como toda luz ela deixa a sua fonte geradora e clareia o que está em volta. Penetra nas mínimas frestas. Destrói a escuridão e ilumina. Faz o mundo diferente, nos faz humanos.


Departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente

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