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9 de Abril de 2009 | Notícias | Saúde

Saúde - Faltava um botão

Acordou assustado ao som do despertador. Esticou o braço e, ainda com os olhos fechados, tentou desligá-lo mas, com o esbarrão, o relógio foi para o chão. Apesar do barulho de peças plásticas se espalhando a campainha continuou soando alto e o remédio foi arrancá-lo da tomada.
Não vendo outra saída foi até a cozinha, ligou a cafeteira elétrica e foi para o banheiro. O banho quente revigorou o corpo e a mente.
Fez a barba, penteou os cabelos, trocou-se e numa conferida rápida frente ao espelho gostou do que viu.
Com novo ânimo foi para a cozinha já sentindo o prazer de um cafezinho quente, mas... Que droga! A água fria, o pó sequinho no coador e o botão ligado indicavam algum problema.
Acionou o interruptor várias vezes e nada. Resolveu esquecer, pois não tinha tempo agora.
Passou na padaria da esquina, tomou uma média e foi para o trabalho.
Na portaria da fábrica uma fila costumeira na catraca eletrônica ia andando no seu passo habitual mas, na sua vez, não funcionou. O cartão estava desmagnetizado e só depois de algum tempo o segurança liberou sua passagem.
Chegou apressado no setor, ligou o computador e foi tomar um cafezinho. Na volta mais uma surpresa. A tela apagada e uma luz piscando eram sinais de problemas.
Uma hora depois teve sua máquina substituída e começou a trabalhar.
As planilhas atrasadas, os relatórios, as mensagens a serem lidas e respondidas, enfim, o trabalho acumulado abreviou o almoço e eliminou o café da tarde. Quando deixou o escritório, até o chefe já tinha ido embora.
Estressado e com uma dor de cabeça danada, dirigiu automaticamente no caminho de volta para casa.
Chegou, tomou um analgésico, deitou-se e fechou os olhos.
Acordou já era tarde da noite. Percebeu que estava ainda com o terno de trabalho.
Saltou da cama, tirou a roupa, comeu alguma coisa, ligou a televisão, zapeou, mas nada lhe interessou.
Voltou para a cama.
Duas horas depois ainda estava acordado. O coração acelerado, a respiração entrecortada, um vazio no estômago. Saiu da cama, assaltou a geladeira, devorou um grande pedaço de doce e voltou para a cama.
O dia fora difícil. Não conseguia desligar.
Com tanta tecnologia, sua vida se transformara num apertar sem fim de botões.
Nesse momento odiava cada um deles. Sem botões o mundo seria uma maravilha.
Pensando melhor, desejou ter um botão. Um botãozinho só que desligasse seu cérebro. Queria dormir, descansar, esquecer. Estava exausto.
Aí, pensou no quanto era perfeito... Só lhe faltava um botão.

Departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente

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