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20 de Agosto de 2009 | Notícias | Saúde

Conta da depressão será difícil de pagar

Insegurança provocada por exigências de aumento da produtividade, maior competição e mais motivação ao consumo aumentam os casos da doença.

Sociedade da depressão

As doenças psíquicas desencadeadas pelo trabalho, entre elas a depressão, vem aumentando sua incidência e ganhando importância nos últimos anos.
Se o fenômeno pode ser considerado mundial, uma vez que tem se manifestado de forma muito semelhante em vários países ao redor do planeta, no Brasil ele tem sido potencializado. Por um lado, pela situação de crescimento econômico inédito que experimentamos nos últimos seis ou sete anos. Por outro, pelas exigências de aumento da produtividade individual no nosso trabalho, pela maior competição, pela maior motivação ao consumo e pela insegurança que representa viver no equilíbrio tênue dessa corda bamba.
O grave é que a nossa sociedade ainda trata o aumento do adoecimento psíquico
como uma questão individual, como a dificuldade das pessoas em se adaptarem psiquicamente à uma nova realidade. Prova disso é o aumento das possibilidades de tratamento nessas especialidades, o crescimento do número de profissionais dessas áreas da medicina e da psicologia e, acima de tudo, da venda e o uso de medicamentos psicoativos, como antidepressivos, ansiolíticos, calmantes, soníferos etc.
Por trás desse quadro está um fato social que se tem tentado ignorar.
Esse fato social é o trabalho com baixo nível de satisfação e reconhecimento social, com exigências e solicitações psíquicas elevadas, que leva a uma incapacidade de adaptação individual crescente em praticamente todas as atividades e em todos os segmentos da sociedade.
Isso significa que esse adoecimento já não é uma exceção ou uma questão individual, mas sim uma representação social. Fica explícito um modelo de trabalho que causa uma coerção social que as pessoas não estão conseguindo suportar, levando individualmente
à ruptura dos mecanismos de manutenção do equilíbrio psíquico e coletivamente à ruptura do tecido social.
Em curto prazo esse passivo social se apresentará como uma fatura impagável.


Departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente

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