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24 de Setembro de 2009 | Notícias | Saúde

SUS - os difíceis caminhos da saúde - 2ª parte

A saúde pública nunca foi prioridade no Brasil. Começamos essa discussão na coluna de saúde de 10 de setembro desta Tribuna.

Nunca foi prioridade porque a prioridade sempre foi a atividade econômica capitalista de prestação do atendimento médico privado, que volta e meia é confundida intencionalmente com saúde pública.

O PAS malufista, as AMAS e as OS - privatizações disfarçadas de organizações sociais - dos tucanos são apenas alguns exemplos. Outra prova é a atitude dos planos médicos e seguros de saúde diante da gripe tipo A (H1N1), que simplesmente viraram as costas para o problema dizendo que essa era uma atribuição da saúde pública. E isso, apesar dessas empresas achacarem cerca de 40 milhões de brasileiros, cobrando mensalidades extorsivas em troca de um atendimento que, exceto nos planos mais caros e restritos, é, quase sempre, pior que o do SUS.

Mas, se no atendimento aos determinantes sociais de saúde como saneamento, trabalho e renda, moradia, educação, transporte e preservação ambiental pouco avançamos nos últimos cinquenta anos, no que diz respeito à assistência médica o setor público é um desastre.

Ressalvadas algumas ilhas de excelência hospitalar e alguns programas como os de prevenção e tratamento da AIDS e de imunização infantil, a saúde pública é um verdadeiro caos.

Os programas de saúde da família não existem na maioria dos municípios e onde existem são insuficientes e desarticulados dos demais programas do SUS. As UBSs, que junto com a saúde da família seriam a porta de entrada do sistema, não têm resolutividade, funcionam em tempo parcial, não dispõem de estrutura técnica e nem de pessoal. Por funcionarem apenas como encaminhadores de pacientes aos pronto-socorros, caíram no descrédito popular.

Os centros de especialidades não têm orçamento adequado, trabalham com prazos incompatíveis com a saúde e, assim, não há como os hospitais e pronto-socorros darem conta de absorver toda a demanda gerada pela inoperância das estruturas básicas e intermediárias.

Talvez, seja necessário não um choque de gestão, mas um choque de patriotismo e cidadania como forma, estancar a desapropriação dos direitos constitucionais da população promovida por todos esses anos de políticas neoliberais.

O restabelecimento desses direitos tem sido um grande desafio para o ministro José Gomes Temporão e para o presidente Lula.

Departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente

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