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29 de Outubro de 2009 | Notícias | Saúde

Espetacularização da vida

Qual é o limite da liberdade da imprensa?

Qual o pressuposto moral das coberturas jornalísticas em tempo real?

A partir da prerrogativa da liberdade de informação, os meios de comunicação podem devassar nossas vidas, nossos momentos íntimos, nossas horas de dor?

Essa é uma reflexão que se impõe diante de um fato recentemente ocorrido.

Por um lado, uma equipe de resgate composta por bombeiros, médicos e enfermeiros, colocando em risco suas vidas preciosas, nas alturas de um telhado industrial, luta para socorrer e tentar salvar a vida, também preciosa, de um trabalhador acidentado durante a sua atividade de trabalho na manutenção elétrica da fábrica.

Por outro lado, duas imensas redes de comunicação, que disputam minuto a minuto a audiência de seus canais de televisão, pairam seus helicópteros poucos metros acima do grupo de resgate, não para ajudar, mas para colocar no ar imagens chocantes de um trabalhador acidentado recebendo atendimento médico. Nessas imagens, o detalhe não é preservado.

É preciso mostrar tudo. As potentes câmeras registram o rosto do trabalhador recebendo massagem cardíaca, ao mesmo tempo em que os potentes motores das aeronaves, com a forte ventania de suas hélices e com seu barulho ensurdecedor, interferem na comunicação e pioram ainda mais as condições do resgate.

Em algum lugar da cidade uma esposa assiste com o coração despedaçado a imagem do seu ente querido. Crianças assistem o pai de uma forma que nunca imaginaram. Uma imagem que certamente os perseguirá para sempre.

Acima das aeronaves, do direito sagrado da intimidade das pessoas, do respeito moral ao sofrimento humano, paira a gana insaciável do lucro, do comércio, da concorrência indecente do capital televisivo, exercendo o seu incompreensível e livre direito à informação.

Informação amoral, que não informa, mas que desrespeita e agride nossos mais íntimos valores humanos. Não há nenhuma justificativa para isso.

A liberdade, envergonhada pela libertinagem desavergonhada, sente muito! O show não deve continuar.

Departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente

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