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13 de Julho de 2010 | Notícias | Saúde

Erros na administração de medicamentos em hospitais chegam a 30%

Atrasos ou antecipação de medicamentos são os erros mais comuns em hospitais e podem causar sérios danos em crianças e idosos

Pesquisa realizada em cinco hospitais universitários detectou erro na administração de medicamentos em 30% dos casos. A maior parte dos erros, 77%, se deve ao tempo de administração de remédios, ou seja, ao horário correto da medicação, seguido de erros na dosagem (14,4%), erros de vias de administração (6,1%), de medicamento não autorizado (1,7%) e de troca de paciente (0,5%).

O estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto identificou quase 1,5 mil erros num universo de 4.958 doses via parental, aquelas que não passam pelo sistema digestivo, ministradas em cinco hospitais ligados à universidades das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

De acordo com Silvia Helena de Bortoli Cassiani, professora da Escola de Enfermagem, da USP, uma das responsáveis pelo estudo, a maior frequência de erros ocorre na administração de fármacos para os sistemas cardiovascular e nervoso, para o trato alimentar e metabolismo e antifecciosos de uso sistêmico.

Erros de horário e dosagem
Entre os equívocos constatados, 77,3% foram "erros de horário", dizem respeito à  administração de medicamentos em um período superior a 60 minutos de antecedência ou de atraso em relação ao horário correto elaborado pelo enfermeiro ou técnico de enfermagem, explica Silvia.

Medicamentos como os de baixo índice terapêutico (MBIT) - que contêm substâncias como ácido valproico, aminofilina e lítio - e os potencialmente perigosos (MPP) - anestésicos em geral - merecem cuidados maiores com a dose e seus efeitos clínicos, indica a pesquisadora. "A margem de segurança para utilização dos MBIT ou MPP é pequena, portanto os erros de medicação, principalmente de dose e horário, são preocupantes, podendo causar sérios danos, principalmente em crianças e idosos", alertou a médica em entrevista à Agência Fapesp.

Segundo o trabalho, há maior concentração de medicação no período da manhã, o que pode levar a atrasos na administração dos remédios. "Os principais determinantes da alta incidência são fatores internos ao processo de trabalho, como o fato de o profissional ter diversos pacientes para cuidar ou falhas no sistema de distribuição, que levam a atrasos na entrega dos medicamentose, consequentemente, na sua administração", disse Adriano Max Reis, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um dos autores da pesquisa.

Depois do tempo de administração de medicamentos, o erro mais comum detectado pelos pesquisadores, 14,4% dos casos, se refere a erros de vias de administração, isto é, quando o medicamento é dado por via errada. "Isso acontece, por exemplo, quando a prescrição indica que a administração deve ser por via intramuscular e o medicamento é aplicado por via intravenosa", afirma Reis.

O erro de medicamento não autorizado pode ocorrer quando há troca de pacientes. "Geralmente ocorre quando há problemas na identificação do paciente, como por exemplo, nomes parecidos em uma mesma enfermaria", explica o especialista.

Para Silvia, os resultados do estudo demonstram que é preciso aperfeiçoar os sistemas de medicação dos hospitais brasileiros e a formação dos profissionais. "O problema é sistêmico, mas também envolve o conhecimento dos profissionais e da equipe de saúde envolvidos no processo de utilização de medicamentos", afirmou.

A pesquisa, segundo ela, também possibilita conhecer as características dos medicamentos envolvidos em erros de medicação e traçar ações preventivas. "A educação permanente e contínua do profissional, o dimensionamento das equipes de enfermagem para evitar sobrecarga de trabalho, um sistema de código de barras para o controle na administração de medicamentos e a distribuição por dose unitária, além da identificação correta e adequada, são medidas que podem mudar esses resultados", disse.

O estudo pode ser acessado na revista Acta Paulista de Enfermagem.

Da Rede Brasil Atual, com informações da Agência Fapesp

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