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14 de Março de 2011 | Notícias | Movimento sindical

Feministas vão às ruas por igualdade e autonomia

Marcha pelo Dia Internacional das Mulheres reúne cinco mil manifestantes no centro de São Paulo

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Foto: Roberto Parizotti

“Respeito a gente não consegue abaixando a cabeça, mas falando alto”, diz Viviane Souza, que aprendeu esse princípio com a mãe e agora repassa para as duas filhas. Ao lado da mais velha delas, a presidenta do Sindicato dos Metalúrgicos de Itaquaquecetuba participou da marcha pelo Dia Internacional das Mulheres, que tomou a região central da capital paulista na manhã deste sábado (12).

Primeira mulher a ocupar a presidência de um sindicato de metalúrgicos no Estado de São Paulo, ela acredita que o passo inicial para mudar a sociedade machista é modificar a estrutura familiar.  “Temos que começar tirando o machismo de dentro de nossos lares, não só da cabeça dos homens, mas também de nossas companheiras que ainda aceitam a situação de desigualdade e violência imposta desde a colonização. A luta é enorme, mas tivemos guerreiras que foram abrindo caminho e agora devemos continuar tomando o espaço que está aí para ser ocupado nas comunidades”, define.

Da mesma forma que ambas, cerca de cinco mil manifestantes enfrentaram a chuva para defender a luta contra a violência sexista, por igualdade, dignidade, autonomia e direitos das mulheres em uma passeata organizada por mais de uma centena de entidades dos movimentos sociais.

Dilma será cobrada
A secretária estadual da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Sônia Auxiliadora, destacou ainda a relação de duas das principais reivindicações da Central Única dos Trabalhadores, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário e o direito à creche, com a igualdade na vida privada. “O movimento sindical tem o desafio e a responsabilidade de debater o compartilhamento das tarefas entre homens e mulheres, porque queremos a redução da jornada para 40 horas semanais, mas não é para fazer mais trabalho doméstico, ampliar ainda mais a dupla jornada que já fazemos, e sim para podermos estudar, nos aperfeiçoarmos, termos tempo para o lazer e para descansar com a família”, apontou.

Nesse sentido, ela comentou também a vitória do Brasil ao eleger a presidenta Dilma Rousseff e lembrou o compromisso assumido por ela durante a campanha de construir seis mil creches. “Precisamos estar juntas para cobrar da nossa presidenta avanços como a ampliação de creches públicas para que não sejamos privadas de entrar no mercado de trabalho ou ingressarmos na vida pública porque não temos ninguém para cuidar de nossos filhos.”

Acostumar com o poder
Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvândia Moreira Leite, os dois pontos principais que unificam a luta feminista neste momento são o combate à violência doméstica e a diferença salarial entre trabalhadores e trabalhadoras. “A cada dois minutos, cinco mulheres sofrem violência no Brasil. Apesar do número ter diminuído nos últimos 10 anos, após a criação da Lei Maria da Penha, em 2006, o dado ainda é alarmante. Além disso, sabemos que a mulher brasileira, mesmo com maior escolaridade do que o homem, recebe 30% a menos para desempenhar a mesma tarefa.”

A dirigente acredita que, mesmo o movimento sindical ainda refletindo o mercado de trabalho, com um número pequeno de mulheres nas direções de centrais, confederações, federações e sindicatos, já há uma melhora sensível. “Desde 1993, quando a CUT instituiu a política de cotas para gênero, que estabelece o mínimo de 30% de representantes de mulheres na direção, passamos pela construção de um novo conceito. Isso inclui trazê-las para o movimento e fazer com que se acostumem a ocupar o poder”, disse.

Políticas pela igualdade
Para a psicóloga e coordenadora do Observatório da Mulher, Rachel Moreno, a única forma de avançar na luta por igualdade é tomar as ruas e cobrar políticas públicas. “Apesar de a legislação garantir igualdade, e mesmo com a propaganda federal dizendo que agora podemos ser engenheiras, arquitetas e operárias, precisamos de oportunidades que nos permitam fazer isso acontecer”, comentou.

“Não haverá mais mulheres no poder se não houver uma reforma política que garanta a distribuição de recursos equitativos entre homens e mulheres e o mesmo espaço na campanha. Não haverá o fim da diferença em termos de cargos, empregos e salários se não houver estímulo à empresa que efetivamente promove a paridade ou sem que exista algum nível de fiscalização e sanção para quem não pratica a igualdade”, acrescentou.

A mobilização é ainda mais necessária para discutir um outro tema polêmico que esteve presente no período eleitoral: a legalização do aborto. “Vamos ter que nos unir como fizemos hoje para mostrar que o direito à vida é um direito das mulheres. É uma questão de saúde pública e não de religião, o Estado deve fornecer o atendimento médico adequado e eu acredito que vamos conseguir ter esse movimento da nossa presidenta indo às ruas e mostrando que estamos mobilizadas”, falou Raquel.

Democratizar e liderar
Também presente na manifestação, a cientista social Tatau Godinho indica que a percepção sobre a desigualdade cresceu, mas ainda não é muito claro onde ela se faz presente.

Para modificar esse quadro, afirmou, é necessário ampliar a atuação militante a partir dos próprios bairros e também democratizar os meios de comunicação. “Os grandes veículos passam uma imagem desqualificada da mulher, fútil, de alguém que só se preocupa com estética e vende para ela um único ideal legítimo, a família e os filhos. Devemos questionar essa imagem e indagar: se a imprensa diz falar em nome da sociedade, afinal, de qual sociedade está falando?”, pergunta.

Por fim, Tatau acredita que a eleição de Dilma representa a quebra de um paradigma. “Muitas mulheres estão nos movimentos sociais, mas não estão no cargo de direção. Estão na militância, mas o funil não permite chegar aos espaços de maior expressão política. Uma mulher na presidência mostra que as mulheres precisam e devem ajudar a conduzir o país, o sindicato, o movimento social.”

Da CUT Nacional

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