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24 de Abril de 2014 | Notícias | Memória

Comissão da Verdade vai ao Chile apurar cooperação entre ditaduras

Diplomatas brasileiros preferiam monitorar compatriotas exilados no país vizinho a ajudá-los

Vinte dias depois do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende e instaurou uma ditadura militar no Chile, a embaixada do Brasil tinha em mãos uma lista de 57 brasileiros presos no Estádio Nacional. Documento do Itamaraty, carimbado como "secreto e urgentíssimo", pedia a cinco órgãos de inteligência instruções sobre o que fazer com os homens e mulheres recolhidos pelos militares chilenos.

A nota da então Divisão de Segurança e Informações, hoje extinta, informava aos órgãos de inteligência a situação de cada um dos presos, cujo número final passou de 80. Fornecido pelos militares chilenos, que estavam interrogando um a um dos detidos no estádio, o documento marca o embrião de uma cooperação entre as ditaduras chilena e brasileira.

Essas relações entre os dois regimes serão alvo de mais uma investigação da CNV (Comissão Nacional da Verdade). Uma equipe comandada pelo cientista político Paulo Sérgio Pinheiro chega neste domingo (20) a Santiago para conhecer o trabalho das duas comissões feitas pelo Chile e levantar documentos que comprovem a cooperação iniciada logo depois do golpe que derrubou Allende, em 1973.

O documento do Itamaraty sugere, por exemplo, que em vez de ajudar seus compatriotas, os diplomatas brasileiros estavam mais preocupados em passar ao regime informações sobre a movimentação dos exilados no país vizinho. O que poderia parecer um levantamento comum de brasileiros em situação de risco no exterior se mostra um relatório de informações sobre a militância de cada um.

"Da relação de brasileiros que se encontram presos no Chile, identificamos os abaixo relacionados como elementos da ABCS (Associação Brasileiro-Chilena de Solidariedade)", informa o texto.

A associação, chamada de "caixinha" pelos exilados, ajudava, segundo eles, os recém-chegados com dinheiro para se manter. Para os militares, tratava-se de um centro de atividade política de esquerda.

A nota lista a ficha corrida de 11 pessoas, com os antecedentes de alguns dos presos. Relata ainda quem seria expulso, interrogado mais uma vez ou julgado pela Justiça militar chilena.

Ao cair o regime de Allende, em 11 de setembro de 1973, cerca de 5 mil brasileiros viviam no Chile, a maioria exilados políticos.

Com informações do R7

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