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12 de Maio de 2014 | Notícias | Memória

Parentes de vítimas querem comissão da verdade para desaparecidos da democracia

Irmão de vítima diz que desaparecimentos, na maioria, são de pessoas mortas que policiais ocultam o corpo

Parentes de pessoas que estão desaparecidas em consequência de violência policial vão encaminhar na semana que vem à presidenta Dilma Rousseff um pedido para a criação da Comissão da Verdade de Desaparecidos da Democracia. Uma das famílias é a da engenheira Patrícia Amieiro, vista pela última vez há seis anos, após a abordagem de policiais militares na saída do Túnel do Joá, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

“Já que existe a comissão da verdade da ditadura, acho que nada mais justo do que a gente ter a Comissão da Verdade sobre os desaparecimentos da democracia, são milhares pelo Brasil afora”, analisou em entrevista à Agência Brasil, Adryano Amieiro, irmão de Patrícia. Além de investigar crimes cometidos durante o regime militar, a Comissão Nacional da Verdade ainda estende as apurações aos abusos contra direitos humanos ocorridos desde 1946.

Ele disse que o pedido terá o apoio de Jovita Belford, que teve a filha Priscila desaparecida em 2004 após um sequestro, e de Tânia Lopes, irmã do jornalista Tim Lopes, morto em 2002 por traficantes do Complexo do Alemão. Além disso, o pedido será divulgado no site www.meurio.com.br, para receber assinaturas de quem deseja apoiar a criação da Comissão da Verdade de Desaparecidos da Democracia.

“Os desaparecimentos, na maioria, são de pessoas mortas que policiais ocultam o corpo. Eles usam o artifício porque acham que, se não tem corpo, não tem crime. É uma verdade que não é mais utilizada hoje em dia, mas eles costumam fazer isso diariamente. Dos 38.614 desaparecimentos que ocorreram de 2007 até 2014, quantos não foram desaparecimentos forçados? O governo não quer investigar a fundo, porque, se não, os números das estatísticas de violência de morte vão aumentar o triplo. Então, para ele é muito cômodo não fazer esta investigação”, completou.

Adryano participou no sábado (10), com outros parentes de Patrícia, de um ato ecumênico no jardim criado com o nome dela e mantido pela família no local onde a engenheira foi vista pela última vez. O objetivo foi pedir mais agilidade da Justiça no julgamento e condenação, em júri popular, dos quatro policiais acusados do crime de desaparecimento. Eles querem que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, oficialize o jardim, que no mês passado foi destruído por pessoas não identificadas.

“A gente ainda tem esperança de que os policiais falem onde colocaram a minha irmã e entreguem a ossada para, pelo menos, a gente fazer um enterro digno e fechar um ciclo. Caso contrário, a gente faz um enterro simbólico, ainda sem data marcada”, disse.

Os policiais Marcos Paulo Nogueira Maranhão e Willian Luiz do Nascimento, do 31º Batalhão de Polícia Militar, localizado no Recreio, zona oeste da cidade, respondem por tentativa de homicídio e por alteração do local do crime. E os soldados Fábio Silveira Santana e Márcio Oliveira Santos, por ocultarem as provas e o corpo de Patrícia.

Da Rede Brasil Atual

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