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12 de Novembro de 2014 | Notícias | Internacional

Número de norte-americanos que imigraram para América Latina dobrou na última década

Latino-americanos durante protesto na Casa Branca para pedir flexibilidade em relação a imigrantes sem documentos

Tendência de imigração inter-regional aumentou; número de jovens que escolhem estudar em países da América Latina também cresceu, aponta Cepal

O número pessoas nascidas nos Estados Unidos e que imigraram para países da América Latina e do Caribe dobrou na última década devido à crise econômica atravessada pelo país. Essa é uma das conclusões do estudo realizado pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) e divulgado nesta terça-feira (11/11). Intitulado “Tendências e padrões da imigração latino-americana e caribenha de 2010 e desafios para uma agenda regional”, o relatório aponta que o México é o principal destino desses cidadãos.

Essa tendência é observada em todos os países da região, com a exceção da Venezuela. No México, o censo de 2010 registrou a entrada de 740 mil cidadãos dos EUA – o que representa um aumento de 106%. Na República Dominicana, o crescimento foi de 712%, com a chegada de 24,5 mil norte-americanos. Na Argentina, o aumento foi de 81% e no Uruguai, 93%, enquanto no Brasil foi de 68,6%.

Os números foram analisados com base nos microdados disponibilizados no começo de 2014 e obtidos nos censos realizados em 2010 e 2011. As informações foram comparadas com as de 2000 em dez países da América Latina e do Caribe.

Os dados apontam uma tendência de manutenção do crescimento de intercâmbio inter-regional, que aumentou 3,5% ao ano. Argentinos, venezuelanos, costarriquenhos e dominicanos são os que mais se deslocaram dentro da região.

Por outro lado, Brasil e México são os únicos cujos fluxo migratório predominante na última década não foi proveniente da América Latina e Caribe. No Brasil, predominou a vinda de portugueses e, no México, a imigração de norte-americanos.

Entre 2000 e 2010, argentinos migraram preferencialmente para o Paraguai; bolivianos e uruguaios para a Argentina; equatorianos e venezuelanos para a Colômbia; mexicanos para os Estados Unidos. Os brasileiros têm como principal destino Portugal, embora o país seja o único com variação negativa no percentual de imigrantes: -35%.

Paradoxos

De acordo com o relatório, a relação entre globalização e imigração é paradoxal, já que, ao mesmo tempo em que os fluxos de informação e comércio se intensificam, “aumentam também as barreiras para tentar impedir ou restringir a circulação de pessoas”. Contudo, essas medidas “não impedem que a imigração continue. Muitas pessoas seguem migrando, mas com menos direitos e em piores condições, o que faz com que se tornem parte de uma população altamente vulnerável”. Os imigrantes são, como aponta a Cepal, os mais afetados pela crise econômica.

A avaliação, no entanto, é que a inclusão do tema nas agendas internacionais de desenvolvimento auspicia avanços de longo prazo, embora coexista com “um diálogo restrito, estigmatizador e reducionista sobre a situação dos imigrantes e do papel da imigração no mundo”.

Fuga de cérebros e oportunidades

Com base em dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2012, o relatório aponta que a tendência de imigração de profissionais e estudantes latino-americanos e caribenhos mudou em comparação com as décadas anteriores. Grande parte dessa população “deixou de emigrar significativamente para a Europa e Estados Unidos” – embora estes ainda sigam como principais destinos – e aumentou a procura por destinos dentro da região, bem como em outros países emergentes.

Argentina, Brasil e Chile são os países que mais têm atraído a atenção de estudantes latino-americanos e caribenhos. Os esforços do Mercosul (Mercado Comum do Sul) neste sentido foram destacados pelo estudo.

Reconhece-se o “esforço explícito para facilitar a mobilidade dos estudantes dentro da região”, mas a burocracia ainda é um empecilho, visto que as legislações nacionais diferem entre os países-membros, o que afeta a forma como se dará a inclusão dessa população “seja como parte do grupo de educandos, seja como futura força de trabalho profissional”.

Outro gargalo neste sentido apontado pelo relatório é que há uma porcentagem grande de pessoas com diploma universitário que possui empregos de média ou baixa qualificação. Isso é mais presente entre os imigrantes provenientes de Bolívia, Equador, Guatemala e Honduras, cuja proporção excede os 60%.

“O desperdício das habilidades é um fenômeno que pode estar escondido atrás da estabilidade dos dados de emprego, pois ao mesmo tempo em que imigrantes mais qualificados conseguem emprego de forma mais fácil, suas qualificações podem ser fortemente depreciadas no processo de busca”, conclui o relatório.

Do Opera Mundi 

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