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2 de Dezembro de 2014 | Notícias | Internacional

Tabaré, apoiado por Mujica, é eleito presidente e promete acordos com todos os setores

 Tabaré Vázquez já havia presidido o Uruguai de 2005 a 2010, sendo o primeiro candidato de esquerda do país

Em seu primeiro discurso como presidente eleito do Uruguai, Tabaré Vázquez relembrou que há 34 anos o povo uruguaio rejeitou projeto de reforma constitucional para legitimar o regime ditatorial instaurado em 1973, querendo chamar a atenção para o atual processo democrático do Estado uruguaio. "Aquele contundente ´não´ foi um categórico ´sim´ à democracia”, expressou. Ele foi eleito domingo (30) no segundo turno das eleição em que obteve 53,6% dos votos válidos.

O presidente eleito pela Frente Ampla, mesmo partido político do atual presidente, José Pepe Mujica, afirmou que não se deve pensar tanto nas próximas eleições, mas, sim, "nas próximas gerações”. "Os uruguaios dizem sim a mais liberdades e mais direitos, maior democracia e melhor cidadania, mais desenvolvimento econômico, social e cultural; mais trabalho, melhor emprego e valor agregado na produção e sustentabilidade ambiental. Mais e melhor infraestrutura, mais e melhores serviços públicos em saúde, educação, segurança, cuidados para todos os uruguaios e, muito especialmente, para quem mais o necessitam. Mais integração interna e externa”, acrescentou.

Em sua gestão, Tabaré Vázquez afirmou que deve proporcionar acordos entre "todos os setores do país” e em "todos os âmbitos” da sociedade. Para os próximos dias, disse que deverá formalizar uma convocatória com a finalidade de encontrar soluções concretas para diferentes temas importantes para o Uruguai. "Eu me comprometo diante de todos vocês a trabalhar até o máximo de minhas capacidades, mas não posso, não devo nem quero trabalhar sozinho; quero trabalhar com todos os uruguaios, não para que me sigam, mas para que me guiem e acompanhem”, disse à multidão que assistiu ao seu discurso no hotel Hour Points, na capital Montevidéu, cercado de dirigentes partidários e familiares.

Tabaré, que governará o país de 2015 a 2020, alcançou nas urnas uma diferença de votos de 13 pontos percentuais sobre seu rival, o deputado Luiz Lacalle Pou (Partido Nacional – PN, de centro-direita). Foi a maior vantagem eleitoral já vista no país desde que o Uruguai retomou seu processo democrático, marcado pela reforma constitucional de 1996. O candidato eleito já havia presidido o Uruguai de 2005 a 2010, sendo o primeiro candidato de esquerda do país.

De tendência socialista, Tabaré Vázquez é líder da Frente Ampla, principal coalizão esquerdista uruguaia, da qual também faz parte o atual presidente José Pepe Mujica, apoiador de sua candidatura. Durante campanha eleitoral, Vázquez defendeu políticas públicas relacionadas à liberdade, igualdade, justiça, direitos humanos e trabalho. Assegurou ainda que deve priorizar políticas de educação pública e de qualidade. O esquerdista defende também a descentralização das decisões políticas e a participação cidadã. Seu vice é Raúl Fernando Sendic, filho do líder socialista revolucionário do Movimento de Libertação Nacional - Tupamaros (MLN-T), Raúl Sendic, guerrilheiro que participou da luta armada durante a ditadura militar uruguaia nos anos 1960 e 1970.

Projeções para a nova gestão

O cientista político argentino Juan Manuel Karg aponta que, dentre os grandes desafios da nova gestão da Frente Ampla no governo do Uruguai está o avanço na sanção definitiva da lei dos meios de comunicação, caracterizada como "inadiável” por Tabaré Vázquez nas últimas semanas. Além disso, deverá prosseguir com as políticas de integração latino-americana, em especial com os países membros do Mercosul (Mercado Comum do Sul).

Segundo Karg, que é articulista da Adital, outra meta que deve ser observada no governo de Vázquez será a ampliação da participação política da população na vida cotidiana do país. Além disso, o presidente eleito deu sinais de que vai investir nos avanços das políticas sociais. "Após dois períodos de crescimento sustentável do Produto Interno Bruto (PIB), aumentos reais de salários e aposentadorias, queda na taxa de desemprego e ampliação de políticas sociais para atacar a pobreza e a indigência, o novo governo terá outros desafios: melhorar a qualidade do emprego e transformar a estrutura produtiva”, projetou Karg.

Da Rede Brasil Atual 

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