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3 de Setembro de 2015 | Notícias

Mujica incentiva militância em defesa da democracia

Foto: Adonis Guerra

Em entrevista ao programa Me­lhor e Mais Justo, da TVT, que vai ao ar hoje pelo canal 44.1 HD, às 22h, o senador e ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica anali­sou a situação política com os governos de esquerda na América Latina, o com­bate às drogas e a luta dos movimentos sociais junto ao governo.

A Tribuna acompanhou a visita de Mujica na tarde da última sexta, dia 28, na sede dos Metalúrgicos do ABC. Ele esteve no País para o seminário internacional “Participação Cidadã, Gestão Democrática e as cidades no século 21”, que aconteceu no Centro de Formação dos Profissionais de Educação, o Cenforpe, em São Ber­nardo.

Mujica afirmou que toda vez que o governo precisa tomar medidas restri­tivas, produz o inconformismo. “No mundo, hoje manda o sistema financei­ro. O inimigo público número um da estabilidade que temos é o sistema fi­nanceiro volátil. Isso trava a economia. No entanto, o homem comum pode não entender essa complexidade. En­tão, ele confia no governo e o governo é a primeira vítima”, destacou Mujica.

Quando perguntado se o avanço dos governos progressistas na América Latina podem ter ressuscitado a onda golpista, Mujica foi enfático ao afirmar que a direita vê isso como uma ofensa que custa a tolerar. Também comentou sobre os protestos no Brasil que pedi­ram o retorno da ditadura militar.

“O único animal capaz de tropeçar várias vezes com a mesma perna é o homem. Muita gente não viveu as dores da ditadura e não sabe o quanto sofremos. É preciso lutar para escla­recer a cabeça de todos, sem exceção”, prosseguiu Mujica.

Sobre a Frente Ampla entre os parti­dos de esquerda, Mujica afirmou não saber se é possível que isso aconteça no Brasil, mas que na história do mundo, o problema histórico sempre foi a desunião.

“A Frente Ampla no Uruguai tem mais de 40 anos e é formada por mais de 20 organizações, entre elas quatro ou cinco de maiores tamanho. Apren­demos a negociar, embora sempre haja diferenças. Foi assim que formamos o maior partido do Uruguai”, explicou.

Mujica ainda contou que seu país optou por um caminho diferente no combate ao narcotráfico, com a re­gulamentação das drogas. Segundo o ex-presidente, se você quer mudar, não pode seguir fazendo o mesmo.

“A cada três presos no Uruguai, um era por droga, por tráfico ou porque roubou para comprar droga. Aí o con­sumidor não tem alternativas senão comprar no mercado clandestino. Não queremos dizer que a maconha é algo bom, mas pior que a droga é o narco­tráfico porque a droga faz mal, mas o narcotráfico mata”, destacou.

No Cenforpe, ao lado do ex-presi­dente Lula, Mujica pediu “paciência e militância” àqueles que se aliam a formas não conservadoras de pensamento na sociedade. Segundo ele, isso é necessário para que o desenvolvimento evite com­portamentos individuais. “Só se muda o mundo com projetos coletivos”, lembrou em evento dois dias antes a estudantes na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ.

“Não há homens imprescindíveis, há causas imprescindíveis. Mais do que nunca, precisamos de partidos progres­sistas e de entender que temos que nos empenhar pelo compartilhamento. E isso tem que ser mão a mão, boca a boca, e não com os grandes meios porque a imprensa responde a outra maneira de ver o mundo”, defendeu Mujica.

Da Redação. 

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