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10 de Setembro de 2015 | Notícias

Fred Redmond, da USW, defende compra de Pasadena pela Petrobras

Foto: Adonis Guerra

Em visita ao Sindicato no mês passado, o vice-presidente da USW, Confederação Sindi­cal que representa cerca de 850 mil trabalhadores nos Estados Unidos, Canadá, Porto Rico, Ilhas Virgens e Barbados, Fred Redmond analisou as dificulda­des enfrentadas pelos trabalha­dores em cenários neoliberais.

À Tribuna, Redmond falou sobre as dificuldades que o sin­dicalismo enfrenta nos Estados Unidos, como a imprensa comercial impõe a agenda de desigualdade social e opres­são aos trabalhadores e aos jovens negros e da aquisição da refinaria de Pasadena pela Petrobras.

Tribuna Metalúrgica – Qual avaliação você faz sobre o neo­liberalismo nos EUA?

FR – O neoliberalismo nos Estados Unidos é controlado pelo capital global, que impõe a agenda da direita de desi­gualdade na renda e opressão à classe trabalhadora, em nome do lucro para os mais ricos, para manter esse capital finan­ceiro. Por conta desta opressão, temos visto um ataque forte contra a juventude negra nos Estados Unidos, problemas com a prisão de jovens negros e latinos, tirados da sociedade e colocados na cadeia em núme­ros históricos. O que estamos vendo nos Estados Unidos é um ataque da elite contra as políticas públicas, adotadas após a eleição do presidente Barack Obama.

TM – Como a organização sindical ocorre neste cenário?

FR – O cenário é interes­sante. Uma pesquisa recente mostra que 78% da população americana apoia os sindicatos de trabalhadores. Mesmo as­sim, é muito difícil, por conta da lei, sindicalizar. Os traba­lhadores sem sindicatos cor­rem o risco de perder os seus empregos e apoiam o processo de negociação coletiva, como uma maneira de resolver a de­sigualdade, mas têm medo de falar sem proteção da lei.

TM – Como é essa realidade?

FR – As empresas têm mais direitos que o sindicato no contato com os trabalhadores e fazem de tudo para intimidar, com ameaças de demissão. O problema é que 90% dos tra­balhadores não tem sindicato. Além disso, existem leis por Estado que dificultam ainda mais a organização sindical. Em 23 Estados tem uma lei podre, pela qual o sindicato é obrigado a representar todos os trabalha­dores na empresa mesmo que eles não paguem mensalidade. O sindicato é o único grupo nos Estados Unidos obrigado a representar trabalhadores que recusam participar ou contri­buir. Não tem responsabilidade recíproca.

TM – O que você pode dizer sobre a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, que tem sido alvo de denúncias no Brasil?

FR – Não entendemos o problema com a compra de Pasadena. Nos Estados Unidos não tem qualquer irregularida­de. A refinaria de Pasadena foi comprada em um momento antes da crise, quando o preço era outro. Após a crise o preço caiu, mas quando a compra foi efetuada o preço era o que foi pago. O que acreditamos é que a imprensa brasileira não divulga dados corretos sobre o que aconteceu. Isso (denúncias de irregularidades na compra) não saiu nem uma vez na im­prensa norte-americana e a refinaria está dando lucro, não tem problema.

Da Redação. 

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