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9 de Abril de 2019 | Notícias

Um ano de prisão política: milhares pedem Lula Livre

Mais de 10 mil participaram de manifestações em Curitiba. Na sede da ONU, na Suíça, militantes dos direitos humanos denunciaram os ataques à democracia

Foto: Ricardo Stuckert

A data, 7 de abril, quando a prisão política do ex-presidente Lula completou um ano, foi marcada por atos e manifestações em várias cidades do Brasil e do mundo. No entorno da sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula é mantido preso, segundo a organização do ato, havia mais de 10 mil pessoas vindas em caravanas de várias regiões do país para apoiar Lula e denunciar as arbitrariedades do processo judicial.

No palco montado no terreno da Vigília Lula Livre, políticos, representantes de movimentos sindicais, sociais e populares dividiram o espaço e o microfone com artistas que homenageavam o ex-presidente ao longo de todo o dia.

Fernando Haddad conclamou a população a ampliar a mobilização pela liberdade de Lula. "Nós vamos continuar lutando pelos direitos do povo e como Lula é do povo, vamos continuar lutando por seus direitos. Porque ele é um dos nossos. Nasceu nas entranhas desse país, não teve nenhum privilégio na vida, superou todos os obstáculos, pra subir aquela rampa e fazer a diferença. E é essa diferença que eles não querem aceitar."

Haddad citou pesquisas que apontam a queda de popularidade de Jair Bolsonaro, lembrando que só foi eleito porque Lula foi preso e porque usou de truques para chegar à vitória em 2018. "Essa elite conseguiu, com tudo que fez desde 2013, colocar um dos piores brasileiros na presidência e colocar o melhor brasileiro nas grades. Enquanto um diz que não nasceu pra ser presidente, tem outro que já provou que sabe cuidar das pessoas, dos pobres, do povo do Brasil", afirmou.

Metalúrgicos do ABC

Os Metalúrgicos do ABC participaram de atos em Curitiba e em São Paulo, na Avenida Paulista. No Paraná, o vice-presidente do Sindicato e presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, a CNM-CUT, Paulo Cayres, o Paulão, que puxou o “Bom dia, presidente Lula!”, destacou a capacidade de mobilização de Lula mesmo estando, como ele definiu, sequestrado.

“É só verificar a quantidade de pessoas presentes para perceber que é impossível enjaular a semente que o presidente plantou. O que demonstra a capacidade de mobilização do presidente mesmo estando preso de forma injusta, ou seja, sequestrado. Nós não vamos descansar um único dia enquanto ele não for solto, vamos rodar este país para resgatar os direitos da classe trabalhadora”, reforçou.

Os atos e mobilizações da Jornada Internacional Lula Livre, continuam nesta semana. Um dos destaques é o ato nacional que será realizado amanhã, às 14h, em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Além disso, ocorrem palestras, shows e panfletagens em diversas cidades de todo o Brasil.

Manifestações pelo mundo

As manifestações por Lula Livre ocorreram em Paris, Barcelona, Madrid, Berlim, Munique, Amsterdã, Genebra, Lisboa, Argentina, Paquistão e República Dominicana.

Na cidade suíça de Genebra, diversas pessoas participaram no domingo do ato político Reunião pela Liberdade de Lula, realizado em frente à sede da ONU.

O ato, que teve a participação de integrantes da comunidade brasileira na Suíça e de sindicalistas, militantes pelos direitos humanos e a democracia e representantes de partidos de esquerda, denunciou às ameaças ao estado de direito e os ataques às conquistas sociais dos trabalhadores hoje em curso no Brasil. Também participaram representantes de outros países em luta pela democracia, como a Argélia e a Síria, entre outros, e de vizinhos sul-americanos como Uruguai e Argentina.

O secretário-geral da IndustriALL Global Union, sindicato internacional dos trabalhadores do setor de metalurgia, energia e manufatura, Valter Sanches, ex-diretor dos Metalúrgicos do ABC, falou durante ato: “Há um ano, no Brasil, aqueles que atacam a democracia e as conquistas dos trabalhadores aprisionaram um homem. Eles pensam que também aprisionaram uma ideia, mas esta ideia está crescendo. Hoje, ela já ocupa as ruas de várias cidades em todas as partes do mundo”, disse.

Leia na íntegra carta enviada por Lula ao povo brasileiro no último domingo:

Meus amigos e minhas amigas, incansáveis companheiras e companheiros de luta.

Há exatamente um ano, estou preso pelo crime de dedicar uma vida inteira à construção de um Brasil mais justo, desenvolvido e soberano. Impediram minha candidatura à Presidência para que eu não subisse outra vez a rampa do Palácio do Planalto, empurrado pelos braços de cada um e cada uma de vocês, para que juntos revertêssemos o desmonte do Estado brasileiro promovido pelos meus algozes.

Há exatamente um ano, estou isolado na cela de uma prisão em Curitiba. Jamais apresentaram uma única prova contra mim. Sou preso político, exilado dentro do meu próprio país. Separado do povo brasileiro, de meus familiares e dos amigos mais queridos. Proibido de dar entrevista, impedido de falar e de ser ouvido.

Pensavam que a imposição desse longo silêncio calaria para sempre a minha voz. Pois não calaram, nem calarão. Porque somos milhões de vozes.

Há exatamente um ano, sou acalentado pelo “Bom dia” e pelo “Boa noite, presidente Lula”, entoados a plenos corações não apenas pelos bravos integrantes dessa que é uma das mais longas vigílias de toda a história, mas também pela solidariedade que chega de todos os cantos do Brasil e até de outros povos do mundo.

Há exatamente um ano, meus adversários buscam um motivo para comemorar, e não encontram. Temos sofrido repetidos revezes desde o golpe contra a presidenta Dilma, é verdade. Mas nossas derrotas nos fortalecem para a luta, ao passo que suas vitórias não dão a eles um minuto sequer de paz.

Eles estão cada vez mais ricos, mas a fortuna obtida à custa do sofrimento de milhões de brasileiros não lhes traz felicidade. Eles estão cada vez mais raivosos e infelizes, envenenados pelo próprio ódio que destilam.

Na despedida do meu neto Arthur, o Brasil inteiro foi surpreendido pelo imenso e desnecessário aparato repressivo montado contra mim. Viaturas, helicópteros, militares portando armamento pesado. Tudo para impedir que eu até mesmo acenasse para aquelas pessoas solidárias à dor de um avô.

Na mesma hora compreendi que o medo deles não é do Lula. Eles têm medo é dos milhões de Lulas. Porque eles sabem do que somos capazes quando nos unimos para transformar este país.

Estamos vivos e fortes. Juntos, vamos reverter cada retrocesso, cada passo atrás na dura caminhada rumo ao Brasil que sonhamos e que provamos ser possível construir. Venceremos.

Um abraço, e até a vitória!

Luiz Inácio Lula da Silva

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