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10 de Setembro de 2019 | Notícias

"É preciso ir contra a maré de ódio", afirmou o secretário-geral do Sindicato

A luta dos Metalúrgic@s do ABC para que os trabalhador@s sejam respeitad@s pelos patrões e tratad@s com dignidade, se estende a todas as outras relações sociais

Enquanto autoridades brasileiras se preocupam com uma demonstração de carinho entre dois jovens do sexo masculino, centenas de pessoas são mortas no país vítimas da homofobia. Só em 2018 foram 420, segundo relatório de Mortes Violentas da População LGBT no Brasil.

No mesmo final de semana em que um jovem foi brutalmente agredido por um motorista de ônibus ao dar um selinho em outro jovem, o Brasil assistiu à tentativa desesperada do prefeito da segunda maior metrópole do país, onde só cresce o número de inocentes mortos pela polícia, de censurar um livro.

Porém a tentativa de censura ordenada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, saiu pela culatra e certificou que o Brasil ainda é regido por um regime democrático, apesar de o governo Bolsonaro e seus apoiadores, tentarem, a todo custo, impor suas práticas censoras militares.

A resposta ao pedido de Crivella, para recolher da Bienal do Livro do Rio a história em quadrinhos ´Vingadores, a cruzada das crianças´, que traz uma cena de dois personagens masculinos se beijando veio do STF (Superior Tribunal Federal) da PGR (Procuradoria Geral da República) e das ruas. Crivella ainda passou vergonha usando uma fake news para recorrer à decisão do STF que derrubou sua “ordem”. 

Atendendo a um pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o presidente do STF, Dias Toffoli, derrubou a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para recolher os livros.

Para tentar justificar a censura, a procuradoria-geral do Rio utilizou imagem do livro adulto ‘As Gêmeas Marotas’ que não estava sendo vendido durante o evento. O resultado foi a venda expressiva do livro que Crivella tentou censurar somado a manifestações nas ruas e nas redes sociais.

O secretário-geral dos Metalúrgicos do ABC, Aroaldo Oliveira da Silva, lembra que o Sindicato luta contra qualquer tipo de preconceito e censura, seja com relação à identidade de gênero, religião, classe social e racial, e que é preciso ir contra essa maré de ódio e olhar para o que nos une enquanto seres humanos.

“Estamos em um momento no Brasil em que as relações estão muito acirradas, o ódio está muito exaltado, as pessoas só estão olhando o que nos diferencia e distancia, não estão olhando que precisamos construir juntos com o mesmo objetivo o que é melhor para o Brasil, para população e para os trabalhadores”.

“Precisamos olhar o que de fato nos une como seres humanos, não posso querer que o outro seja como eu, o que nos faz diferentes não pode ser colocado como ponto de conflito e sim como ponto de convergência e evolução”, completou.

A cena que fez Crivella surtar

A discriminação e o senso de poder legislar sobre a vida do outro, gera um ciclo de violência. Exemplos claros disso são também o ataque ocorrido na última semana no restaurante palestino, Al Janiah e os números divulgados ontem sobre a violência contra mulher. O Ministério da Saúde registra que, no Brasil, a cada quatro minutos, uma mulher é agredida. No ano passado, foram registrados mais de 145 mil casos de violência física, sexual, psicológica e de outros tipos em que as vítimas sobreviveram.

“Fatos como este só reforçam nossa busca para que o respeito seja primordial em qualquer relação. Nossa luta histórica para que os trabalhadores sejam respeitados pelos patrões e tratados com dignidade, se estende a todas as outras relações na sociedade, homens e mulheres, negros e brancos, pobres e ricos, militares e civis, héteros e lgbts, são sempre pessoas e pessoas, e merecem ser respeitadas”, finalizou o secretário-geral.

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