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3 de Dezembro de 2019 | Hot Site

O Massacre de Paraisópolis

No Brasil, na faixa etária dos jovens de 15 a 29 anos, há 70 homicídios para cada 100 mil pessoas. Nessa condição, entre os pretos e pardos esse índice é de 43,4% e para os brancos 16,0%. Por si só, esses dados são terríveis e refletem a histórica persistência da desigualdade no país. Mas quando o Estado é identificado como um dos executores que potencializa a matança da juventude negra, seja qual for a cor da sua pele, você precisa se revoltar.

Numa ação violenta da polícia militar nesse fim de semana, morreram nove jovens com idades entre 14 e 28 anos na favela de Paraisópolis em São Paulo. A polícia cercou e encurralou milhares de jovens com bombas e cacetadas. Na tentativa de fugir, oito garotos e uma menina foram pisoteados até a morte.

É preciso lembrar que a maioria da população de Paraisópolis é negra, é preciso lembrar que 70% das pessoas que vivem em situação de extrema pobreza no país são negras. Sobretudo, é preciso lembrar que o presidente em exercício defende o chamado excludente de ilicitude, que pode ser traduzido como uma licença para matar, pois oferece imunidade e impunidade para que a polícia militar possa matar em serviço sem o risco de serem penalizados.

O baile funk, assim como as micaretas e raves, são festas que aglomeram uma enorme quantidade de jovens. Por isso mesmo, podem incomodar a vizinhança nos locais onde ocorre, mas nada justifica uma abordagem com violência desmedida e alto risco de uma tragédia, que foi o resultado da operação.

A presença do Estado em comunidades como Paraisópolis não pode se resumir a operações policiais contra a sua população, como tem sido norma nas grandes metrópoles. No lugar de equipamentos culturais e de estimular as economias locais, vale a regra do tiro, porrada e bomba, pela ação das polícias contra a sua população pobre e majoritariamente negra. É preciso interromper esse massacre.

 

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