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6 de Fevereiro de 2020 | Notícias

Não à privatização: trabalhadores na Petrobras, Dataprev e casa da moeda param em defesa das estatais

Petroleiros em todo país seguem em greve apesar de decisão do TST para que 90% continuem trabalhando. Mobilizações contra demissões acontecem também na Dataprev e Casa da Moeda

Fotos: Divulgação 

As paralisações em defesa das estatais brasileiras, na lista de privatizações do governo Bolsonaro, marcam o início de 2020. A greve nacional na Petrobras, iniciada em 1º de fevereiro, já soma 17 mil trabalhadores parados, segundo a FUP (Federação Única dos Petroleiros). A mobilização é para barrar as cerca de mil demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), o descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho e o processo de pri­vatização.

Os petroleiros decidiram manter a greve, após a de­cisão na última terça-feira, 4, do ministro Ives Gandra Filho, do TST (Tribunal Superior do Trabalho), que estabeleceu que 90% dos petroleiros continuem traba­lhando. Segundo a liminar, sindicatos que descumpri­rem a norma terão de pagar multas diárias entre R$ 250 mil e R$ 500 mil, a depender do porte de cada entidade.

No entendimento da FUP, os critérios impostos pelo ministro são desproporcionais. “O direito de greve é constitucional e deve ser respeitado. Nossas assesso­rias entrarão com os recursos necessários contra esta decisão do TST e manteremos contato com a gestão do Sistema Petrobras para entender as condições exigidas”, informou Deyvid Bacelar, diretor da FUP.

Intransigência

A empresa se nega a negociar com a Comissão Permanente da Federação, que desde a sexta-feira, 31, ocupa uma sala na sede da petrolífera, no Rio de Janeiro.

A FUP denuncia ainda que as gerências da Petrobras estão mantendo trabalhadores em condições de cárcere privado em diversas unidades operacionais, em condi­ções inseguras de trabalho, e ameaçando os petroleiros com notificações intimidadoras para que compareçam aos locais de trabalho.

“A greve dos petroleiros não é contra a população. A greve dos petroleiros é em defesa dos empregos e da Petrobras. Queremos que a empresa cumpra o seu papel de indutora do desenvolvimento do país, gerando empregos e renda para o povo brasileiro e fornecendo combustíveis a preços justos”, diz a nota divulgada pela FUP.

Dataprev e Casa da Moeda

A Dataprev, Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência, e o sindicato da categoria assinaram na última terça-feira, 4, um acordo para suspender a greve da categoria e a demissão de cerca de 500 trabalhadores. A greve contra as demissões e a privatização da estatal foi iniciada em 31 de janeiro.

Na última segunda-feira, 3, os trabalhadores da Casa da Moeda também cruzaram os braços para impedir a empresa de retomar o programa de demissões. A paralisação foi motivada também pela manutenção das regras das cláusulas sociais garantidas no acordo coletivo de 2019.

Luta histórica

Em 1995 os petroleiros iniciavam a mais longa greve da história da categoria. Uma greve de 32 dias, que tornou-se o maior movimento de resistência da classe trabalhadora à política neoliberal e entreguista do PSDB e do DEM (então PFL). Uma greve que foi fundamental para impedir a privatização da Petrobras. Milhares de trabalhadores foram arbitrariamente demitidos, punidos e enfrentaram o Exército, que, a mando do então presidente, Fernando Henrique Cardoso, ocupou com tanques e metralhadoras as refinarias da Petrobras.

Solidariedade

“A direção dos Metalúrgicos do ABC é solidária à luta dos trabalhadores na Petrobras, na Dataprev, na Casa da Moeda, uma luta em defesa do Brasil. Vemos como absurdo esse plano de privatizações do governo Bolsonaro, que é a entrega do patrimônio público brasileiro, um patrimônio da população brasileira”, presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

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