48 anos de Tribuna: Um jornal para conversar com o trabalhador
Um jornal para conversar com o trabalhador. “Foi com essa ideia que nasceu, em julho de 1971, a Tribuna Metalúrgica”, contou Antônio Carlos Félix Nunes, primeiro redator do jornal. Paulo Vidal, presidente do Sindicato na ocasião, recordou em entrevista à Tribuna que dois nomes também foram cogitados – Tribuna dos Trabalhadores e Tribuna dos Metalúrgicos.
No início houve resistência dos trabalhadores, que muitas vezes sequer queriam ler o jornal. “Isso também acontecia com os boletins que divulgávamos”, disse Vidal. Foi quando todos começaram a pensar em soluções para facilitar esse contato.
Dessas conversas surgiu aquele que seria um dos símbolos da categoria: João Ferrador, metalúrgico que escrevia bilhetes dirigidos às autoridades do governo, com uma linguagem mais da fábrica, com ironia. “Aí pegou”, comemorou Félix.
Outro personagem que ficaria famoso, o Sombra, foi criado anos depois pelo jornalista Júlio de Grammont, o Julinho, que tornou a Tribuna diária em 1986. O Sombra contava o que acontecia nas fábricas, denunciando chefias autoritárias.
Nesse começo, calculou Félix, a tiragem ficava entre 25 mil e 30 mil exemplares. Em 2001, por exemplo, chegou a 60 mil Tribunas ao dia. Nos primeiros anos, o jornal circulava uma vez ao mês com oito páginas. Em alguns períodos, foi semanal e em outros não teve periodicidade definida.
Durante algumas greves, até circulou de forma clandestina, sendo fundamental para a manutenção dos movimentos. Aliás, em vários momentos, era comum o jornal ser levado para dentro da fábrica às escondidas.
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Capa da primeira edição da Tribuna Metalúrgica publicada em julho de 1971. Jornal tinha oito páginas e sua periodicidade era mensal.