9º Congresso aprova plano de lutas que norteará rumos da categoria

Sob o tema "Outro Brasil é possível", metalúrgicos e metalúrgicas discutiram temas como democracia, indústria e organização sindical

Fotos: Adonis Guerra

Os delegados e as delegadas do 9º Congresso dos Metalúrgicos do ABC encerraram sábado, dia 20, as discussões sobre os principais temas que envolvem a categoria e aprovaram as resoluções finais que nortearão as atividades do Sindicato no decorrer deste mandato. Na pauta aprovada estão, modelos de estrutura e organização sindical.

“Esse Congresso teve como desafio discutir o papel do Sindicato na região, democracia, emprego, indústria, região, formação, qualificação e geração de empregos. Temas que interessam diretamente o trabalhador que está no chão de fábrica. As deliberações serão referências para o trabalho de base deste Sindicato”, destacou o presidente dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão.

O secretário-geral do Sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva avaliou que o Congresso foi bastante produtivo com muita interação dos delegados e delegadas. “Os trabalhos em grupos geraram muitos frutos. Saíram muitas propostas em todas as áreas, indústria, trabalho, regionalidade, formação, comunicação, saúde, cultura, cidadania, como também na estrutura e organização sindical. Agora a direção do Sindicato precisa discutir a implementação de cada proposta para, a cada dia, atuar e representar melhor os trabalhadores”.

Wagnão fez uma homenagem em agradecimento aos companheiros que já passaram pela categoria. Os homenageados receberam carteirinhas de sócios beneméritos como reconhecimento na construção da história do Sindicato.

Foram aprovadas também moções de repúdio aos ataques promovidos pelo governo Bolsonaro em relação à democracia, soberania nacional, direitos trabalhistas, reforma da Previdência, meio ambiente, direitos humanos, investimentos sociais e parcialidade da justiça. Outra moção feita pelo Coletivo das Mulheres pediu ações de enfrentamento no combate à violência contra a mulher.

Encerramento político

O encerramento contou com participações de lideranças políticas e de movimentos sociais, que enalteceram a relevância histórica da casa e a importância de lutar pela liberdade de Lula.

“O povo brasileiro tem que abrir os olhos, Bolsonaro foi eleito mentindo. Este governo não tem uma proposta econômica para o desenvolvimento e geração de empregos. Não queremos só a liberdade do Lula, queremos a inocência de Lula, queremos ele candidato, com a possibilidade de acabar com a malvadezas feitas por esse governo”, presidente da CUT, Vagner Freitas.

“Essa categoria tem a responsabilidade de ajudar a conduzir as resoluções que influenciam nossa Central e o movimento sindical. Mais uma vez, somos chamados a dizer os rumos e colaborar com o destino da classe trabalhadora brasileira”, ex-presidente do Sindicato e ex-prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho.

“Esta categoria e este Sindicato foram decisivos para preservar e conquistar direitos nos últimos anos. Hoje aquela turma que gritava ‘mito’ já não está gritando mais com tanta força, o clima começou a mudar e para virarmos o jogo vai ser preciso muita mobilização e unidade, e parte importante dessa luta é a luta pela liberdade de Lula”, líder do MTST, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos.

“Há décadas construímos uma parceria da classe trabalhadora sempre baseada na solidariedade dos nossos movimentos, dos metalúrgicos e dos sem terras. A história do Brasil passou por esta sala, este Sindicato é um patrimônio do povo brasileiro. Agora a luta é de classe pelo trabalho, pelo direito à vida. Precisamos de unidade em torno de grandes temas. O grande tema é a liberdade de Lula, o segundo é a educação e o terceiro é a soberania nacional”, líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), João Pedro Stédile.

“Aqui tem uma categoria organizada e fortalecida na luta, mas a imensa maioria dos trabalhadores não tem isso. Todo o povo tem que ter dignidade e trabalho, é o que dá condições para ter vida digna. A responsabilidade é grande, não só com a luta da categoria, mas do povo brasileiro. Vocês já foram precursores da luta, vão ser de novo junto com os movimentos. A semente plantada aqui há muitos anos vai brotar de novo. Com garra e luta vamos retomar o país da classe trabalhadora”, presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann.

 

ABC da Indústria

Debates sobre “Trabalho e Indústria: Para onde vamos” e “Regionalidade: Reerguer o ABC”. “As propostas tiradas dão as linhas de atuação do Sindicato para fortalecer a indústria e retomar o protagonismo do ABC”, explicou o diretor Wellington Damasceno.

 

Disputa no mundo

O secretário-geral da IndustriALL Global Union, Valter Sanches, fez uma análise sobre  “Trabalho no mundo”. “O risco é de desindustrialização do Brasil no momento em que o mundo está em transformação, com avanços da digitalização e da Indústria 4.0”, disse.

 

“Resistir e avançar”

O presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, ressaltou a importância e os desafios do “Trabalho de base”. “A organização no local de trabalho empodera o Sindicato e as lutas dos trabalhadores contra as relações de opressão dos patrões”, explicou.

 

Estrutura e organização sindical

O presidente da FEM/CUT, Luiz Carlos Silva Dias, o Luizão, falou sobre a responsabilidade deste Sindicato. “Temos que ousar nas decisões, ampliar a representatividade e a capacidade de interlocução com cada trabalhador na base”, afirmou.

 

Metalúrgicos no Brasil

O presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, o Paulão, fez uma análise sobre o perfil e a situação dos sindicatos metalúrgicos no Brasil. “A representação sindical tem que dialogar com a categoria, romper com modelos e criar novos para mobilização da classe trabalhadora.”