A desigualdade de trabalho

Na semana passada discutimos o estresse crônico como um agente desencadeador do adoecimento e, mais que isso, a importância do trabalho como principal fonte geradora do estresse crônico nos dias atuais. Hoje, abordaremos o que leva o trabalho a gerar estresse.

Não gosta do que faz

Recente pesquisa feita nos Estados Unidos mostra que entre os trabalhadores empregados apenas uma  minoria, menos de 10%, gosta do trabalho que faz.

Os principais fatores de descontentamento da maioria são: o baixo reconhecimento, trabalho pouco estimulante (repetitivo, monótono e com pouco espaço para criatividade), falta de liberdade, gestão autoritária, jornadas extensas, baixa remuneração, trabalho extenuante e falta de apoio.

Desigualdade de trabalho

A pesquisa conclui ainda que há uma enorme desigualdade na distribuição do trabalho bom. Enquanto poucas pessoas podem trabalhar naquilo que lhes traz satisfação e assim ter no trabalho uma situação prazeirosa, uma maioria tem no trabalho pouca ou nenhuma satisfação, reconhece nele uma importante fonte de sofrimento e só o considera melhor do que ser desempregado ou não ter como sobreviver.

Ergonomia pode ajudar

Diante dessa realidade, fica clara a importância da organização e luta dos trabalhadores pela melhoria das condições de trabalho e, mais ainda, na busca de uma gestão da organização do trabalho que permita mais liberdade e espaço para a criatividade e ascensão profissional, além de jornadas racionais, com mais segurança e bem estar.

A ergonomia, se usada como instrumento de melhoria da nossa vida, pode ser de grande importância nessa luta. Caso contrário, apenas as empresas se apropriarão desses conhecimentos para aumentar a produtividade e a competitividade.

Departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente