“A maldade dos patrões é tão grande que querem mexer nos pisos”
As dificuldades nas negociações de Campanha Salarial continuam. Mobilizações nas fábricas são essenciais para avançar

Fotos: Adonis Guerra
Ao longo desta semana, a Tribuna retratou nas capas os piores chefes da cultura pop para ilustrar o andamento das mesas de negociação da Campanha Salarial, com os desmandos dos patrões de querer retirar direitos dos trabalhadores.
Hoje estão marcadas assembleias de Campanha Salarial na Otis, em São Bernardo e Autometal, em Diadema. Os 14 sindicatos que compõem a base da FEM/CUT (Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT), que negocia a Campanha Salarial, intensificaram as mobilizações em defesa das cláusulas sociais, reposição da inflação pelo INPC, apurado em 3,28% no período, e na luta por aumento real.
Em alguns grupos patronais, a Convenção Coletiva de Trabalho assinada no ano passado tem validade de dois anos. Mesmo nesses grupos, tem patrão que quer mexer em direitos históricos.
A coordenadora do Coletivo de Mulheres Metalúrgicas do ABC, Andrea Ferreira de Sousa, a Nega, que acompanha as negociações, falou sobre as dificuldades enfrentadas nesta Campanha Salarial.
“Os patrões ou não sabem o que inventar ou a maldade é tão grande que vieram todos com a pauta de querer mexer no piso salarial. A grande maioria das mulheres dentro das fabricas recebe o piso. Se não tiver uma política de cargos e salários, as mulheres ficam só no piso. Nós mulheres estamos bem no olho do furacão”, afirmou.
“A bancada dos trabalhadores está dizendo que não tem como reduzir o piso. Se for mexer, é para melhorar. Não vamos aceitar redução e continuaremos firme tanto nas mesas de negociação quanto nas mobilizações nas fábricas até que a luta seja vitoriosa. São os trabalhadores mobilizados que vão dar o recado ao patrão”, defendeu.
Integrante do Conselho Fiscal da FEM/CUT e CSE na BCS, Maria Gilsa Conceição Macedo, reforçou a importância da representação das mulheres na mesa de negociação.
“Até agora temos encontrado grandes dificuldades. Tem pontos que avançaram em alguns grupos, mas não com concordância o suficiente para fechar a Campanha Salarial. E as mulheres estão sempre presentes, para propor e analisar o que é melhor para as mulheres trabalhadoras na base”, disse.
A dirigente ressaltou que teve grupo que quis reduzir o auxílio creche de 24 para 18 meses. “É importante neste momento manter as conquistas, como o auxílio creche e a licença maternidade, por meio da assinatura da Convenção Coletiva. A luta continua, de forma bastante intensa, para chegar a um acordo de Campanha Salarial nos grupos”, afirmou.
A pauta de reivindicações foi entregue aos patrões no dia 4 de julho. O tema da Campanha Salarial este ano é ‘Mais emprego, mais direito e mais salário’.
Os eixos são: reposição integral da inflação mais aumento real; manutenção e a aplicação das Convenções Coletivas; respeito às entidades sindicais; contra o fim das NRs (Normas Regulamentadoras) e redução da jornada de trabalho sem redução de salário.