Acordo Mercosul e União Europeia – Governo quer que o Brasil seja o ´primo-pobre´

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O presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, esteve no Senado na quarta-feira, dia 11, para solicitar uma audiência pública sobre os acordos bilaterais em discussão pelo governo, entre eles o de livre comércio Mercosul e União Europeia.
“Um acordo dessa importância, que está prestes a ser fechado pelo governo federal sem qualquer discussão com a sociedade, com certeza vai gerar um forte impacto negativo nos empregos em nosso País com os grandes prejuízos que causará à indústria brasileira”, afirmou.
Wagnão fez o pedido de audiência pública ao presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Fernando Collor (PTC-AL).
“O senador confirmou que vai fazer a audiência assim que a matéria chegar ao Senado e sugeriu que procuremos as outras comissões que também analisarão o acordo”, contou. “Vamos continuar conversando com todos os representantes que estão no processo de negociação e ocupar os espaços possíveis para pontuar as preocupações dos trabalhadores com a desindustrialização brasileira”, prosseguiu.
“Este acordo é o típico primo-pobre e primo-rico, sendo que o Brasil é o primo cada vez mais pobre. O acordo favorece apenas o agronegócio brasileiro e as indústrias na Europa, com riscos dos empregos de qualidade ser exterminados no País”, alertou.
A negociação entre Mercosul e União Europeia teve início há quase 20 anos e ficou congelada praticamente durante todo esse período. No segundo semestre do ano passado, o governo intensificou as ações para tentar fechar o acordo. O imposto de importações atual, de 35%, será zerado se for concretizado.
Dirigentes do Sindicato estiveram, no dia 27 de março, em reunião no Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, com o embaixador brasileiro Ronaldo Costa, responsável pelas negociações entre os blocos. O embaixador garantiu que os trabalhadores terão assento e acesso às informações do processo.
Os Metalúrgicos do ABC têm feito o alerta sobre o atraso que a medida representa para a indústria nacional desde que o governo retomou o assunto. Na discussão sobre o Rota 2030, em setembro de 2017, com a participação de integrantes do governo e empresários, o Sindicato ressaltou que o acordo pode trazer retrocessos ao País.
O País está sem Regime Automotivo, já que o Inovar-Auto acabou em dezembro do ano passado e o Rota 2030, com divergências dentro do próprio governo, ainda não foi finalizado.
“Juntos, o acordo de livre comércio e a falta de uma política automotiva podem trazer de volta a enxurrada de veículos importados ao País”, concluiu.
Da Redação.