Adeus patrimônio público: Mais uma energética na mira da tucanagem

A tucanagem prepara novo rombo no patrimônio dos brasileiros. O governo Alckmin, do PSDB, vai privatizar a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) até janeiro do próximo ano.

A empresa está avaliada em cerca de R$ 1 bilhão. O governo diz que o dinheiro ajudará a sanear a Cesp (geradora de energia) que tem dívidas de R$ 10 bilhões.

A justificativa não convence. Representantes de sindicatos, ONGs e partidos políticos já se manifestaram contra a privatização. Um argumento é que há alternativa para a dívida da Cesp. Porém, a crença neoliberal do PSBD determina que o melhor caminho sempre é a privatização.

A Cteep é uma das empresas mais rentáveis do Estado e há anos entrega gordos dividendos para os cofres públicos. O engenheiro José Paulo Vieira, do grupo de política energética da Universidade de São Paulo (USP), afirmou à Agência Carta Maior que nos últimos seis anos a companhia teve R$ 850 milhões de lucro, dos quais R$ 180 milhões foram destinados ao Estado de São Paulo. “Vender uma empresa com essa capacidade de geração de caixa seria um escândalo digno das piores e nada saudosas privatizações ocorridas no País”, disse Vieira, que é ex-funcionário da Cesp.

Em outras palavras, não é necessário privatizar a Cteep para viabilizar o saneamento da Cesp. As vendas de energéticas estaduais nos anos 90 geraram R$ 18 bilhões para o caixa estadual, valor mais que suficiente para saldar a dívida da Cesp que, no entanto, só aumentou. Foi depois da privatização das elétricas nos tempos de FHC que veio o apagão. Coincidência?