Bispo denuncia golpe parlamentarista no Brasil

Foto: Roberto Parizotti

Durante a missa de um ano da morte da companhei­ra Marisa Letícia, reali­zada sábado à noite no Sindicato, o bispo Dom Angélico Sândalo Bernardino denunciou o golpe no Brasil para um salão lotado de amigos e familiares que vieram prestar homenagens à esposa do ex-presidente Lula.

“Vivemos em um mundo con­vulsionado e não nos deixemos enganar, atrás de tudo isso está o poder econômico insaciável, que manobra outros poderes. Vivemos agora sob um golpe par­lamentarista. Digam o que quiser esta é a verdade”, denunciou.

O bispo lembrou que, apesar do momento difícil, quando serviços básicos como alimen­tação, saúde e transporte estão sucateados, a classe trabalhadora não pode desanimar e precisa se manter unida. “Nada de desâni­mo, vamos realmente resistir e unidos trabalharmos pelo Brasil e por uma economia solidária”.

“Pacificamente trabalhemos contra todo o ódio, contra tudo que desune as pessoas e lutemos a favor dos pobres, dos traba­lhadores. Precisamos de muitas reformas, mas que não penalizem o trabalhador, a mulher, o aposen­tadoque ganha o salário mínimo, como querem fazer agora com a Previdência”, convocou.

A reforma da Previdência foi criticada também pelo ex-presi­dente Lula. “A reforma quer tirar mais dos pobres para garantir privilégios. Mas se preparem que o pobre vai voltar a governar esse País”, ressaltou.

Foto: Ricardo Stuckert

O dono da dor

Lula se emocionou várias vezes ao lembrar da companheira. “Foi nesse Sindicato, em 1973, que eu conheci a Marisa, nós nos casa­mos em 1974, e em 1975 eu assu­mi a presidência. Ela participou ativamente da minha vida nesse Sindicato”, lembrou.

O ex-presidente reafirmou que está em paz. “Não há espaço para ódio no meu coração. Se votaram com ódio, votaram contra um homem que tem muita paz. Vou matar eles de ódio por não ter ódio”, afirmou ao se referir aos juízes que o condenaram. Sobre sua sentença afirmou “ela está baseada em uma mentira. Se eu a respeitasse não teria coragem de olhar na cara da minha bisneta”.

Na Pressão

A reforma da Previdência precisa de 308 votos para ser aprovada em plenário da Câmara dos Deputa­dos. Para pressionar os parlamen­tares, a CUT lançou em junho do ano passado o site napressao.org.br, que permite contatar os parlamentares por e-mail, mensagens, telefone ou redes sociais.

No Estado de São Paulo, são 17 parlamen­tares contra os trabalhadores, 33 indecisos e 20 deputados contra a reforma da Previdência.

No Brasil, são 173 deputados que já se posicionaram pelo fim da aposentadoria, 195 indecisos e 153 contra.

Da Redação.