Brasileiros e italianos debatem resistência contra os ataques aos direitos dos trabalhadores

Sindicalistas da CUT e da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) se reuniram em São Paulo, entre os dias 26 e 27, para debater o futuro do trabalho e construir caminhos de resistência contra os ataques aos direitos da classe trabalhadora nos dois países, que vivem as consequências da ascensão ao poder de líderes de extrema direita.

A precarização do trabalho, o desemprego, o aumento da desigualdade social e o fato de os trabalhadores terem de se sujeitar a condições extremas para sobreviver são as principais preocupações do movimento sindical internacional.

A professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Esther Solano Gallego, que realiza uma pesquisa entre seus alunos, contou que, desde o período eleitoral, a onda de notícias falsas, no mesmo molde de se eleger um inimigo comum, provocou uma sensação de insatisfação até mesmo em quem se beneficiou de programas sociais implantados pelos governos democráticos de Lula e Dilma Rousseff.

“Aqui o inimigo eleito foi o PT e o pobre. Infelizmente até mesmo os mais pobres compraram essa ideia. Eles têm no empresário bem-sucedido um exemplo de vitória pessoal. É a referência deles. E acabam acreditando que só conseguiram chegar a algum lugar por seus próprios méritos”, explica.

Para os sindicalistas italianos, a ação sindical tem de caminhar justamente no oposto do que foi construído pela extrema direita até aqui. Giacomo Licata, dirigente da CGIL, afirma que o trabalho deve ser feito com orientação e oferecendo esperanças.

“Devemos fazer com que esse sentimento não desapareça e que se fortaleça com a luta por trabalho digno e melhora das condições de vida para as classes mais pobres”, afirma.

Já Esther acrescenta que o trabalho de base deve ser feito não somente pelo movimento sindical, mas pelos movimentos sociais, associações de bairro e outras entidades, no sentido de conscientizar a população sobre o que realmente está em risco com governos de direita.

Com informações da CUT