Centrais internacionais alertam para riscos do acordo Mercosul-EU

O acordo de livre-comércio entre os blocos Mercosul e União Europeia, comemorado pelo governo brasileiro, no final do mês passado, tem sido duramente criticado pelas centrais sindicais pelo mundo.
“Temos recebido constantes manifestações de repúdio ao acordo e solidariedade à classe trabalhadora sul-americana, sobretudo de grandes entidades europeias por entenderem que os termos de troca são muito desiguais e apontam claramente para o fim das atividades industriais no Mercosul. O que pode significar, a médio e longo prazo, exportar esse modelo de precariedade para a Europa”, contou o secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT, Maicon Michel Vasconcelos da Silva.
O Workers Uniting, sindicato que representa mais de 2 milhões de trabalhadores no Canadá, Irlanda, México, Reino Unido e Estados Unidos, divulgou nota manifestando sua oposição. “A mensagem política enviada pela assinatura deste acordo é antitética às aspirações democráticas dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo. Não se pode haver negociação legítima com o governo Bolsonaro, enquanto ele subverte a democracia no Brasil e mantém Luiz Inácio Lula da Silva como prisioneiro político”.
O Sindicato do Cone Sul e a Confederação Europeia de Sindicatos lançaram declaração conjunta exigindo o respeito pelos direitos trabalhistas e afirmando que as relações Mercosul-UE servem para construir um modelo de desenvolvimento mais equilibrado que contribua para uma maior coesão e justiça social. “O acordo comercial proposto não aborda as objeções levantadas pelo movimento sindical e aumentará a desigualdade, limitando a possibilidade de desenvolvimento democrático, equitativo e sustentável”, diz o documento.
Em nota, a Confederação Geral do Trabalho Francesa afirma que se opõe a este acordo “da mesma forma que se opõe a todos os acordos, que não melhoram os direitos humanos, a legislação trabalhista, as mudanças climáticas, destroem o meio ambiente e colocam a democracia a interesse das multinacionais”.
Para ter validade, o acordo tem que ser aprovado pelo Congresso dos países do Mercosul e pelo Parlamento Europeu.