Coletivo de Mulheres chama atenção para números alarmantes do feminicídio

Intervenção no 9º Congresso pediu respeito e basta a todas as formas de violência contra mulher

Fotos: Adonis Guerra 

Uma moção de repúdio a todas as formas de violência contra a mulher e uma declaração de apoio e adesão à luta pela emancipação feminina foram aprovadas pelas delegadas e delegados presentes no 9º Congresso. A leitura do texto que indica que nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil, sendo que 42% dos casos ocorreram no ambiente doméstico, foi precedida de uma intervenção artística.

As integrantes do Coletivo leram em primeira pessoa o relato de feminicídio de nove mulheres mortas na região neste ano. Na sequência, a atriz Lilia Reis, contou, de forma dramatizada, a história verídica de uma jovem do ABC assassinada pelo namorado, cuja amiga, ficou louca em função do trauma sofrido.

“O feminicídio está aí e após a eleição deste governo, os números só aumentam. Fizemos essa ação no Congresso porque queremos dividir com os homens. Essa luta não é só das mulheres, é do pai, dos irmãos, dos primos, do companheiro, essa luta é de quem sentir a dor dessa mulher. Estamos numa casa que faz a luta pela cidadania. Quer cidadania maior que lutar pelo direito à vida?”, destacou a coordenadora do Coletivo, Andrea Ferreira de Sousa, a Nega.

“É importante frisar que não estamos começando, só estamos dando continuidade à luta que o Coletivo já destravou lá atrás. Essa é uma luta permanente, tod@s têm o compromisso de mantê-la”, completou.

Nega lembrou o caso da companheira Geyse, assassinada a caminho da fábrica pelo ex-companheiro e de como é difícil expor esse tipo de situação. “Já aconteceu na nossa base, são mães guerreiras, mulheres simples, iguais a Geyse que trabalhava na Revoluz e tinha dois filhos pequenos, uma companheira que estava indo trabalhar e perdeu a vida. Ouvimos relatos de violência doméstica, só que é muito difícil esse tipo de informação chegar até nós, porque isso é vergonhoso pra mulher”.

A presidenta do PT e deputada federal, Gleisi Hoffmann, presente na atividade, parabenizou a atitude das companheiras. “Vejo como fundamental e extremamente necessárias ações como essa aprovada no 9º Congresso dos Metalúrgicos do ABC, tomara que iniciativas assim, se espalhem em todas as categorias de trabalhadores. Para ter uma ideia, o Brasil é o 5º país em morte violenta de mulheres. Não é possível que no século XXI as mulheres ainda tenham que viver amedrontadas e cada vez mais somar números tristes de aumento nas estatísticas de violência e feminicídio. Por outro lado, não há como construir um Brasil e um mundo melhor sem que a liberdade e o direito vida sejam direitos invioláveis. A nossa luta é pela igualdade e, ela, é em todas as áreas da vida”, afirmou.

Ações solidárias

Na Festa ‘Julina’ do Sindicato e no Festival de Rock, o Coletivo das Mulheres Metalúrgicas do ABC, comandaram uma barraca solidária em prol das Casas Abrigos da região que protegem mulheres em situação de violência doméstica. “O trabalho social não ajuda só quem está recebendo, mas sim quem está atuando, faz um bem tão grande para nós e além das mulheres do Coletivo, muitas pessoas se envolveram”.