Comissão de Fábrica na Volks completa hoje 37 anos de lutas em defesa dos trabalhadores
Com participação da velha guarda, representação lembrou momentos de luta na inauguração da nova sala central

Fotos: Adonis Guerra
Com a nova sala central lotada, os dirigentes da Comissão de Fábrica e do CSE na Volks inauguraram o espaço na semana em que completa 37 anos de lutas da representação dos trabalhadores.
A inauguração da sala foi na terça-feira, dia 22, com a participação dos dirigentes da velha guarda e dos atuais, na Volks e em diversas fábricas da base, parlamentares e representantes da montadora. Desde quarta, estão sendo realizadas atividades de formação no espaço (confira mais na pag. 4).
O presidente do Sindicato e CSE na Volks, Wagner Santana, o Wagnão, chamou os ex-coordenadores da representação em uma homenagem a todos que passaram pela Comissão.

“Carregamos a história e o tamanho da responsabilidade da representação como um instrumento de aprendizado, de como construir o presente e o futuro. São fortes desafios diante do mundo que está mudando e da qualidade de emprego que vem se degradando com as reformas Trabalhista, terceirização e da Previdência. Temos que aproveitar todas as experiências, boas ou ruins”, afirmou.
“Tivemos companheiros e companheiras que sofreram em um período muito obscuro do Brasil, que não queremos ver nunca mais. Vários lutaram para que a gente chegasse até aqui. O nosso agradecimento a todos e todas, porque evoluímos na construção do diálogo para, a partir daí, criar soluções que atendam interesses dos trabalhadores”, ressaltou.

Wagnão lembrou que a primeira sala da Comissão era pequena, inclusive clandestina, para organizar os trabalhadores e enfrentar as adversidades.
“Temos força para poder conversar de igual para igual com a fábrica, de ter condição de conquistar um espaço como este, que é feito de vidas e almas, corações e mentes, não só paredes e chapas. Este espaço é resultado da luta de cada companheiro e companheira da Comissão e de cada militante que deu suporte a isso”, disse.
O coordenador-geral da representação na Volks, Wagner Lima, agradeceu a representação e a militância, lembrou as lutas desde 1982 e de Lúcio Bellentani, que faleceu em julho deste ano.
“Lúcio lutou até o último minuto para mostrar à sociedade o que foi feito a quem se opunha à ditadura militar. Muitos foram torturados, muitos perderam a vida. Na década de 90, a organização no local de trabalho conseguiu melhorias com uma representação mais atuante e firme, no processo de reestruturação produtiva e na manutenção de postos de trabalho. De lá para cá, conseguimos negociar acordos de futuro da empresa e dos empregos. A luta é constante”, afirmou.
Rosimeire Conceição Pinto, a Rosi, da coordenação do CSE, fez uma homenagem à primeira mulher representante na Comissão de Fábrica, Olga Irene do Nascimento, presente na atividade.
“Na época dela, até mulher poder usar calça no setor administrativo foi uma luta. Ainda somos poucas nas fábricas, o caminho é longo, mas são muitas as conquistas desde então, como a licença maternidade, auxílio creche, a sala das mulheres”, explicou.

O vice-presidente do Comitê Mundial dos Trabalhadores da Marca e do Grupo Volks, Reinaldo Marques da Silva, o Frangão, reforçou que é preciso respeitar a trajetória da representação e agradeceu ao companheiro Valdir Freire Dias, o Chalita, a quem sucedeu no Comitê Mundial.

“São companheiros que não só abriram as portas, mas fizeram o processo de ascensão sobre o peso que o Brasil tem nos negócios da Volks no mundo. Essa representação vai continuar acesa e viva na organização interna dos trabalhadores, com os desafios de futuro das transformações do processo tecnológico”, contou.

Chalita falou em nome dos ex-trabalhadores na Volks. “A velha guarda está sempre presente quando chamada. O objetivo é um só, que continuemos fortes, essa Comissão é cada um dos trabalhadores na fábrica”, concluiu.
Crianças e adolescentes atendidos pelo Solano Trindade se apresentaram na inauguração da sala. O projeto é mantido pelo programa “Uma hora para o futuro”, doação dos trabalhadores na Volks

As paredes da sala da representação foram cobertas com grafites. O trabalhador na Volks, Rafael Caloi, é o artista responsável pelo grafite de Lula no fusca. O arte educador e grafiteiro de Santo André, Rodrigo Smul, fez os demais grafites