Companheiros na Mercedes assinam documento contra a reforma da Previdência
Lançado pela CUT e demais centrais sindicais, abaixo-assinado ocorrerá em todo o Brasil e será entregue aos parlamentares no Congresso

A coleta de assinaturas para o abaixo-assinado contra a ‘deforma’ da Previdência do governo Bolsonaro segue a todo vapor nas fábricas da categoria. Ontem foi a vez dos trabalhadores na Mercedes mostrarem que estão mobilizados contra o desmonte da Previdência Social.
“Estamos convocando os trabalhadores para mais essa parte da resistência que é o abaixo-assinado. Já fizemos atos, passeatas, até construir uma greve geral no Brasil para mostrar a insatisfação da sociedade contra essa reforma que não tem nenhum aspecto positivo para os trabalhadores”, afirmou o secretário-geral do Sindicato e CSE na montadora, Aroaldo Oliveira da Silva.
Aroaldo destacou o fato de o Ministério de Economia ter recusado acesso aos documentos que embasam a proposta. “Mais um absurdo desse governo que nós repudiamos é esconder os cálculos da Previdência e tratar em sigilo um debate tão importante que vai mudar a vida de toda a sociedade brasileira”.

“A importância de assinar é a classe trabalhadora estar consciente de que essa reforma não vai trazer benefício nenhum para nós trabalhadores, vai aumentar o tempo de contribuição e de idade. A rotatividade nas empresas está muito grande e quando você leva em consideração o desemprego percebe que não vai ser só 65 anos, vai precisar de mais tempo, 70 a 75 anos”, Clayton William Pereira Gomes, eixos, há 9 anos.

“Por ser mulher a reforma da Previdência vai me afetar bastante, vamos precisar trabalhar mais. Empresa nenhuma fica com pessoa com mais de 60 anos. A reforma também acaba com a Seguridade Social. Querem adotar o sistema que que não deu certo no Chile, onde idosos se matam por não conseguirem pagar o básico. Essa reforma só beneficia banqueiro, Cintia da Silva Freire da Cruz, usinagem, há 15 anos.

“Tenho 17 de carteira assinada, acredito que não vou conseguir me aposentar se a reforma passar. Tenho auxílio acidente que estão falando que vai diminuir o valor. Isso não é justo com os trabalhadores. Vamos lutar até o fim para não passar a reforma. Tenho conversado na academia, prédio, onde vou falo do quanto vai ser difícil se essa reforma passar”, Genúsia Ferreira de Araújo, operadora de máquina, há 11 anos.

“Se reforma for aprovada não existe a possibilidade de aposentar. Com 41 anos e 16 anos de contribuição não tem como. Impacta em tudo, são planos que a gente tem para o futuro de ter qualidade de vida, de descanso, o sonho acaba se desfazendo. Penso como vai ser para os filhos, os jovens que estão entrando agora no mercado de trabalho como vai ser sem aposentadoria e perdendo os direitos”, Francisco Adenilton Ferreira, montagem de eixos, há 12 anos.
Representação na Mercedes conquista redução de taxas bancárias
A Comissão de Fábrica na Mercedes conquistou a redução nas taxas de juros cobradas pelo banco Itaú no crédito consignado e no cheque especial dos trabalhadores. A redução será gradativa no cheque especial e passa a valer a partir de 1º de maio.
Segundo o coordenador do CSE na Mercedes, Ângelo Máximo de Oliveira Pinho, o Max, a pauta foi encaminhada para a direção da montadora e da instituição financeira ainda no ano passado, após o pedido de redução das taxas ter sido aprovado em assembleia. Neste ano foram realizadas novas assembleias de mobilização, durante o mês de fevereiro, em todas as áreas da fábrica para reivindicar a redução.
“No segundo semestre do ano passado tivemos algumas reuniões com a superintendência do banco e representantes da Mercedes, mas a pauta não avançou. O banco sempre colocando dificuldades. Aí a gente percebe as contradições quando os banqueiros apostam na nova economia brasileira, mas durante as negociações colocam dúvida sobre a política econômica do atual governo. O importante é que tivemos avanços significativos graças à mobilização no chão de fábrica”, destacou.