Cotas para deficientes, 20 anos de desrespeito

Passados 20 anos da aprovação da lei que fixa um número mínimo de pessoas com deficiência nas empresas com mais de 100 trabalhadores, o número de vagas cresceu, mas continuam os desafios de mais adaptação e humanização dos postos de trabalho.
“As empresas contratam para se adequar à lei e não valorizam a capacidade do trabalhador deficiente, entendendo que ele é menos capaz que os outros”, disse Edvaldo de Souza, o Perninha (foto), coordenador da Comissão dos Metalúrgicos com Deficiência do Sindicato.
Como consequência, afirmou ele, as empresas preferem pessoas que tenham deficiência leve, pois isso significa menos adaptações nas estruturas.
“São poucas as empresas adaptadas para a circulação de pessoas, com rampas, banheiros acessíveis e corredores largos. Isso sem falar em recursos tecnológicos como sinais sonoros para os deficientes visuais ou luminosos para deficientes auditivos”, comentou Perninha.
Ele adiantou que a Comissão vai iniciar nas próximas semanas um mapeamento nas empresas da categoria para saber quantos são os trabalhadores com deficiência e quais suas condições de trabalho.
“Esse levantamento vai indicar as ações sindicais a serem desenvolvidas para combatermos o preconceito que ainda existe e caminharmos para uma igualdade de oportunidades”, afirmou.
De acordo com o IBGE, 14% da população possuem algum tipo de deficiência, ou seja, cerca de 25 milhões de pessoas. Segundo o Ministério do Trabalho, 306 mil pessoas com deficiência estão empregadas.
Da Redação