Criada para impedir retrocessos, Comissão Arns será lançada hoje

A Comissão Arns, formada por 20 personalidades, entre eles seis ex-ministros de Estado, será lançada hoje, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo. O objetivo do grupo é monitorar ameaças de retrocessos em conquistas nas áreas dos direitos humanos asseguradas pela Constituição de 1988.
O nome é uma homenagem ao cardeal D. Paulo Evaristo Arns (1921-2016), franciscano que foi referência na defesa de direitos humanos e dos mais pobres, opositor ativo da ditadura militar.
O ex-ministro de Direitos Humanos no governo Lula, Paulo Vannuchi, que integra a Comissão, lembrou que desde 1988 o Brasil avançou na criação de mecanismos de proteção aos direitos humanos nos governos democráticos, mas que agora esses direitos estão sob ataque.
“Do ano passado para cá, o ataque aos direitos humanos virou um programa de governo no discurso do presidente eleito, que se coloca contra os direitos humanos. Esse ataque gera novas resistências. A Comissão Arns nasce reunindo pessoas com opiniões diferenciadas nas questões político-partidárias, mas que estão unidas no respeito e na exigência de que o Brasil não volte atrás nesses avanços. Vamos trabalhar pressionando o poder público e denunciando junto à imprensa e aos organismos nacionais e internacionais”, afirmou.
“A luta pelos direitos humanos é histórica no Sindicato e faz parte do cotidiano da nossa atuação no chão de fábrica. A criação desta Comissão em um momento delicado como este é muito importante para ampliar essa discussão com os trabalhadores”, declarou o diretor executivo dos Metalúrgicos do ABC, responsável pelo Departamento de Saúde e eleito conselheiro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Carlos Caramelo.
Da Redação.