Depoimento: “Se a cabeça não estiver boa, o corpo não dá conta”

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Fernanda Souza, mãe de duas meninas e esposa do companheiro Francisco Lourival de Lima, o Chiquinho, CSE na Arteb, em São Bernardo, descobriu, há alguns meses, um caroço no seio através do autoexame. Hoje, em tratamento, ela conta como enfrenta a doença e ressalta a importância de cuidar também do lado emocional, do apoio de quem está em volta e de manter o alto-astral para alcançar a cura.

“Me chamo Fernanda Souza, tenho 35 anos, sou casada e mãe de duas princesas, uma de 7 anos e uma de 9 meses. Tive minha filha mais nova em janeiro deste ano, amamentei até os 4 meses e seguimos a vida normalmente. Após o leite secar e a mama murchar, identifiquei através do autoexame um nódulo, até aí não me preocupei pois pensava ainda ser leite. Fui ao médico e contei sobre o achado, ele me passou os exames incluindo o ultrassom da mama.

Durante o exame, o médico fazia diversas perguntas, então acionei o botãozinho da preocupação. Numa conduta muito correta, ele pediu para que eu aguardasse o laudo que seria liberado naquele momento e que procurasse o mastologista o mais rápido possível. Digo que foi uma conduta correta, pois poderia ter liberado o laudo em 7 dias, como padrão dos laboratórios, a liberação antecipada fez uma grande diferença para o diagnóstico e tratamento.

Ao receber o laudo, fui fazer a consulta no Google. Fiquei desesperada, chorei muito, mas precisava ser forte, só pensava nas minhas filhas, mas decidi não preocupar a família até que tivesse o diagnóstico correto. Mantive segredo por dois dias até a consulta com o mastologista, quando tive a confirmação do diagnóstico: câncer de mama categoria Bi-Rads 5 (nível de malignidade). Nesta hora o chão desapareceu dos meus pés. Então compartilhei com meu esposo. Ele ficou muito abalado, meu choro era desesperador… tinha acabado de receber uma sentença de morte, esta é a sensação.

Com o passar do tempo, fui me acalmando e buscando forças nas minhas filhas que precisariam de mim por muito tempo. Minha preocupação maior era a minha filha de 7 anos. Como iria reagir? Como seria a vida dela a partir daquele momento? Fui contando aos poucos, mas sempre dizendo a verdade, que tinha descoberto um carocinho no seio da mamãe, que tomaria remédio, o cabelo iria cair etc. Ela é muito forte e entendeu.

O tratamento se resume a quimioterapia, seguida de cirurgia de forma menos invasiva, preservando o máximo possível da mama. Dura em torno de 6 meses, estou no segundo mês e confesso que é muito cansativo, os efeitos da quimioterapia são fortes.

Sou uma pessoa alto astral, qualquer coisa pra mim é motivo de festejar, adoro festas, casa cheia e continuo assim. O diagnóstico não me tirou a vontade de viver, pelo contrário, me deu mais vontade. Numa situação desta, o que nos fortalece é o apoio, a disponibilidade que as pessoas se colocam para ajudar. As orações principalmente. A fé é que cura, 70% da cura é a mente e 30% o tratamento. Se a cabeça não estiver boa, o corpo não dá conta.

Creio na cura, estou enfrentando a situação como um momento de ressignificação da minha vida, de olhar e dar atenção a detalhes, de saber que a vida é só uma e precisamos aproveitá-la o máximo possível com as pessoas a nossa volta. E mostrar isso a outras pessoas, tudo na vida é uma troca de aprendizado.

Durante todo este processo continuei trabalhando na dupla ou tripla jornada, só que pisei no freio, faço de acordo com que o corpo aceita. O corpo sente o baque. Mas estamos aí seguindo a vida e agradecendo a Deus pela oportunidade de estar viva.

No começo me pegou bastante a questão da queda do cabelo, a vaidade feminina, tentei usar a touca térmica que congela o couro cabeludo para evitar o contato da medicação com os cabelos e evitar a queda, mas não deu muito certo. O cabelo começou a cair e resolvi que não usaria mais touca, usaria lenço e turbante”.