Desemprego leva trabalhadores à luta por moradia

Fotos: Adonis Guerra
Com o desemprego e a crise econômica e política no País, a Ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo, já registra cerca de sete mil famílias na luta por moradia no terreno de 60 mil m² próximo à Scania. A organização é do Movimento dos Trabalhadores Sem- Teto, o MTST, e teve início em 1º de setembro.
“A maioria que nos procura é de desempregado que não aguentou mais pagar aluguel, gente despejada ou que morava de favor”, afirmou Andreia Barbosa da Silva, da coordenação estadual do MTST.
“Cada barraco de lona e madeira representa a falta de moradia com a crise. O déficit habitacional de São Bernardo é de 90 mil famílias. Os barracos são provisórios, não é favela”, afirmou. “Buscamos uma solução para construir unidades habitacionais e fazer a defesa do Minha Casa Minha Vida na faixa até três salários mínimos”, prosseguiu.

A coordenadora explicou que o terreno está há cerca de 40 anos vazio. “O dono do terreno já recebeu duas notificações por não ter projeto para cumprir a função social”, contou.
Andreia ressaltou que o movimento luta por melhores condições de vida das pessoas. “O MTST é apartidário, mas dialogamos com apoiadores e recebemos solidariedade. A demanda é muito grande e a esperança é maior ainda”, disse.
A ocupação está dividida em 19 grupos, cada um com cozinha comunitária. Os barracos são nomeados e numerados pela organização. Voluntários cavavam fossas para banheiros.
Não há água, chuveiro nem energia elétrica. Os companheiros buscam água em bicas da cidade. Na entrada da Avenida José Odorizzi com a Rua João Augusto de Sousa, que dá acesso ao terreno, viatura da Guarda Civil Municipal impedia a entrada de veículos.
A reintegração de posse pedida pela construtora MZM foi suspensa pela justiça no dia 15.
Solidariedade na Ford
Os companheiros na Ford, em São Bernardo, arrecadam contribuições em solidariedade às famílias na ocupação.

Da Redação.