Disposição de luta contra a reforma da Previdência é aprovada na Mercedes e na Ford

Foto: Adonis Guerra

Fotos: Edu Guimarães
Os trabalhadores na Ford e na Mercedes, em São Bernardo, aprovaram a disposição de luta contra a reforma da Previdência, durante assembleias realizadas pelo Sindicato, na manhã de hoje, nas portarias das fábricas.
“Estamos em uma guerra e precisamos ter estratégia. Temos que estar atentos e manter a mobilização para a qualquer momento até sexta-feira que vem, dia 22, se o governo mandar para a Câmara a reforma da Previdência, parar o Brasil!”, afirmou o secretário-geral do Sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva.
“Ontem foi um Dia Nacional de Luta contra a reforma. Na categoria, os trabalhadores e trabalhadoras na Volks ocuparam parte da rodovia Anchieta, apesar da mídia comercial não mostrar, porque tem interesse na aprovação da reforma da Previdência, já que é financiada pelos bancos privados, que querem vender previdência complementar para todo mundo”, denunciou o dirigente.
Os companheiros na Mercedes e Ford fariam o mesmo hoje, mas por conta de um anúncio feito pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), de um possível adiamento da votação para fevereiro de 2018, o Sindicato definiu votar pela mobilização.
“Por mais que o governo faça propaganda e comece a falar que eram 49 anos e agora são 40 anos de contribuição, mesmo assim ninguém irá receber a aposentadoria integral, porque o cálculo do benefício que está proposto nunca vai atingir por considerar todos os salários durante a vida laboral”, destacou.
Segundo ele, a exigência de uma idade mínima para o acesso a aposentadoria penaliza os trabalhadores mais pobres e que começaram a trabalhar mais cedo para ajudar as suas famílias.
“Como exigir de um trabalhador que começou com 15 anos que ele trabalhe até os 65 anos e ter a mesma idade mínima para quem começou a trabalhar com 25, 30 anos?”, indagou.
O secretário-geral argumentou ainda que, apesar de os ministros de Temer afirmarem que a Previdência consome 58% do orçamento da União, a verdade é que ela consome 20%. “E por que se diz isso então? Porque metade do orçamento vai para o pagamento da dívida. A PEC do Teto dos Gastos impede o aumento dos gastos públicos por 20 anos, mas não impede o pagamento da dívida e vai avançar para mais da metade do orçamento”, continuou.
“A reforma da Previdência é mais um ataque, depois de aprovarem a lei que impede os gastos públicos, precisam barrar a Previdência e se utilizam de uma mentira”, completou Aroaldo.
Na Ford, o secretário-geral da CUT-SP, João Cayres, desmentiu os argumentos do governo sobre o déficit da Previdência. “O governo está fazendo um ataque de forma mentirosa falando em privilégios, eles querem atingir o funcionalismo público, mas na aposentadoria dos verdadeiros privilegiados não vão mexer. Precisamos estar atentos para pressionar cada deputado e dizer que quem votar pela reforma não volta”.
“O governo está dificultando a vida do trabalhador e daqui para frente tudo tende a ficar mais difícil. Eles passaram o trator com a reforma Trabalhista, agora estão tentando fazer o mesmo com a da Previdência”, alertou o coordenador-geral da representação na Ford, José Quixabeira de Anchieta, o Paraíba.
Apoio político
A vereadora por São Bernardo, Ana Nice e o deputado estadual Teonílio Barba conversaram com os companheiros na porta da Ford.
“O governo afirma não ter dinheiro para pagar a aposentadoria dos trabalhadores e trabalhadoras, mas perdoou a dívida de banqueiros. Daqui há alguns anos o Brasil terá milhares de idosos mendigando sem conseguir se aposentar”, disse a vereadora.
“Eles dizem em Brasília que a reforma vai acabar com os privilégios, mas a maioria não é privilegiada e ganha o mínimo. Ontem eu disse na Assembleia Legislativa que os mesmos 296 deputados federais canalhas que roubaram os diretos dos trabalhadores e trabalhadoras ao votarem pela reforma Trabalhista, farão o mesmo ao votar a favor da Previdência”, denunciou Barba.
Da redação