Educação é investimento
Dentre todos os descaminhos trilhados pelo governo federal a partir de janeiro, o tema da Educação certamente e infelizmente ocupa uma posição de destaque. Os cortes anunciados pelo novo chefe da pasta são de fato expressivos. Trinta por cento não são três chocolatinhos engolidos numa operação burocrática: esse corte significa reduzir a capacidade das universidades federais em todo o seu universo de atuação: a formação dos estudantes nas salas de aula, as atividades de pesquisa em andamento e aquilo que se chama de extensão, um imenso conjunto de iniciativas em parceria com a sociedade civil.
Segundo os dados oficiais, o investimento público direto por estudante aumentou em todos os níveis de ensino entre os anos 2000 e 2015. No ensino básico o investimento anual por aluno em valores reais saltou de R$ 2.154 para R$ 6.381; no ensino médio de R$ 2.078 para R$ 6.637.
Já na educação superior, o investimento manteve se estável, de R$ 23.619 para R$ 23.215 com a diferença de que o investimento em relação ao percentual do PIB cresceu de 0,9% para 1,3%. Explica esse dado a criação de 18 novas universidades federais, com 173 novos campus, levando o número de alunos do sistema universitário federal de 505 mil para 932 mil.
Como mostram esses dados, o investimento no ensino superior não é o problema fiscal do Brasil: o verdadeiro fato é que desde a aprovação da PEC dos gastos em 2016, a educação não cabe mais no orçamento do governo federal, por ser tratada como custo. Um erro gravíssimo, que compromete nosso presente e nosso futuro.
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