Fala Wagnão – Ciência e Tecnologia: Todas as vezes que o governo investe na área, o Brasil avança
O presidente do Sindicato, Wagnão, defende os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para o país avançar e gerar empregos de qualidade
Investir em ciência e tecnologia melhora a vida das pessoas porque desenvolve a sociedade, cria oportunidades, impulsiona a indústria nacional e gera inovações. Todas as vezes que o governo investe na área e aponta caminhos para o futuro da indústria, o Brasil avança.
Quando o governo deixa de apontar caminhos, as empresas deixam de investir porque não existe nenhuma exigência de contrapartida.
Nós vimos as empresas investirem no setor automotivo no Brasil com o Inovar-Auto, com exigências em eficiência energética, conteúdo local e segurança dos veículos. Hoje nós não temos uma política que norteie as empresas automotivas, o que oferece o risco de não ter o desenvolvimento e a pesquisa no país.
Temos nas empresas públicas os grandes motores indutores de pesquisa e desenvolvimento. E podemos perder essa capacidade com a entrega que estão fazendo da Petrobras, Embraer, Eletrobras, entre outras.
Um grande exemplo foram os investimentos que resultaram na descoberta do Pré-Sal, que revolucionou a exploração de petróleo no mundo. Vimos a Petrobras investir fortemente no desenvolvimento e na busca de soluções em relação à exploração e ao refino do petróleo brasileiro. Hoje corremos sérios riscos de comprometer o potencial de inovação da empresa.
A Embraer é uma empresa nacional que desenvolve projetos e compete de igual para igual com outras gigantes no mundo. Se o projeto entreguista for adiante, poderemos dar de bandeja todos os avanços que tivemos no desenvolvimento de alta tecnologia, inclusive perder a oportunidade de transferência de tecnologia que os caças Gripen oferecem no acordo entre Brasil e Suécia. Isso impacta não só na perda de desenvolvimento no Brasil, como também compromete toda uma geração de estudantes e pesquisadores que está sendo formada.
Por falta de oportunidades, muitos jovens se formam nas universidades brasileiras e acabam indo embora sem deixar seus conhecimentos para a sociedade brasileira.
Temos ainda o exemplo do motor flex que foi desenvolvido no país, onde o governo incentivou essa inovação. No momento de discussão sobre eletrificação, é extremamente importante não perder os investimentos no setor elétrico, mas também trabalhar com a possibilidade de um carro híbrido a etanol desenvolvido no Brasil. A ideia é aproveitar uma matriz genuinamente brasileira que é o etanol, com uma nova tecnologia que vem ganhando espaço no mundo que são os carros elétricos e híbridos.
Para que a tecnologia e a inteligência estejam no país, a PEC da Morte, que congelou investimentos públicos em educação e saúde por 20 anos, tem que ser revogada. A medida já está comprometendo as universidades públicas, com sucateamento e redução de vagas.
Por isso, nessas eleições, temos que estar atentos aos candidatos que defendem políticas de investimento público nas universidades, escolas técnicas e centros de pesquisa.