Fala Wagnão: Essa ciranda não tem como dar certo

O sinal de continuidade da crise e da falta de uma política econômica que dê conta dos desafios do país foi o governo “comemorar” a redução do desemprego com base no aumento do emprego informal. Se já não fosse absurda essa informação, percebemos que o salário mínimo, que não atende as necessidades básicas, começa a ser teto de referência para muitos empregos no Brasil.

Isso mostra o empobrecimento da classe trabalhadora e nos aponta um futuro muito sombrio, como mostram as notícias sobre o crescimento da população em situação de rua, aumento de 60% (de 15,9 mil em 2015 para 24,3 mil em 2019) e de 55 mil pessoas a mais no trabalho informal.

Para recuperar seu poder econômico, o Brasil deveria estar crescendo a taxas superiores a 3% ao ano. O que temos são previsões que chegam a quase nada de crescimento. Isso não é o suficiente para atender a demanda dos milhões de jovens que chegam ao mercado de trabalho, muito menos para aqueles trabalhadores e trabalhadoras desempregados já há mais de um ano, que é o tempo médio de recolocação.

Esses se submetem aos devaneios de parte do empresariado, que vê na situação uma oportunidade de aumento da exploração dos trabalhadores desesperados por levar um prato de comida para casa.

Essa não é a receita para o país sair da crise, nem a receita para o aumento da capacidade de consumo das famílias que, aliás, vêm acumulando aumento do endividamento. Essa ciranda não tem como dar certo.

A venda do patrimônio público para solução de um déficit fiscal é o empobrecimento e o desmantelamento do Estado, que deveria ser o primeiro a apostar no investimento como forma de sair dessa ciranda.

Para protestar, as centrais organizaram ontem o ato contra o presidente Bolsonaro (confira na pag. 3), principalmente contra a política de seu governo, orientada pelo anarcoliberalismo do ministro da economia, que tem na sua biografia uma breve passagem pelo Chile. País este em que desde outubro se realizam gigantescas manifestações contra a política neoliberal que o governo Bolsonaro quer copiar e implementar no Brasil.

Se não seguirmos esse exemplo das centrais sindicais e da população chilena, não sobrará pedra sobre pedra nesse amado Brasil.