Fala Wagnão – Nenhum direito a menos
Em entrevista de página inteira na Folha de S. Paulo de ontem, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, o TST, Ives Gandra da Silva Martins Filho, defende que a geração de empregos no Brasil está condicionada a perda de direitos dos trabalhadores.
O ocupante do ‘mais importante’ cargo da Justiça do Trabalho afirma ainda, sem nenhuma cerimônia, que trabalhadores que sofrerem o mesmo dano moral, que ele se refere como ‘brincadeira de mau gosto’, recebam indenizações desiguais proporcionais aos seus salários.
Quer dizer, para ele nem todo mundo é igual perante a lei, como está escrito na nossa Constituição Cidadã, de 1988. É a perpetuação e aceitação da desigualdade social brasileira.
O presidente do TST, que recebeu em setembro salário bruto de R$ 38.580,53, que equivale a mais de 40 salários mínimos, desconhece a realidade da maioria da população que recebe apenas um salário mínimo.
Essa entrevista é uma ofensa aos trabalhadores no intuito de convencer a população de que a famigerada reforma Trabalhista é a salvação para criar empregos.
Os Metalúrgicos do ABC discordam dessa avaliação, não apenas porque queremos um País que o trabalhador possa, com a sua remuneração, dar uma vida digna para a sua família, mas por já ter vivido a experiência do pleno emprego, sem que para isso, um direito sequer tenha sido retirado dos trabalhadores.
O que o presidente do TST quer com esse discurso é ser porta-voz de uma parte do empresariado brasileiro, que sonega impostos e que não tem nenhum compromisso com o crescimento do Brasil ou com a inclusão social de seu povo.
Isso fica evidenciado quando o senhor Ives Gandra diz que o empresariado poderá, com a reforma, ‘demitir sem tanta burocracia’.
Avaliem o absurdo desta declaração e a contradição que há nesta afirmação. Como criaremos emprego permitindo e facilitando as demissões e, portanto, a rotatividade?
