Fala Wagnão – Privatizações: Esperamos um governo que não entregue aos lobos os bens públicos
O presidente do Sindicato, Wagnão, defende as empresas públicas como indutoras do desenvolvimento do Brasil

A venda do patrimônio público tem sido tratada como se fosse a grande modernização do Estado, a grande solução de todos os problemas das nações capitalistas do mundo. Essa é a pérola do neoliberalismo. Mas poucas são as nações no mundo que podemos utilizar como exemplo de país desenvolvido e socialmente justo, que protege o cidadão desde seu nascimento, com saúde e educação.
Na maioria do mundo capitalista a realidade não é essa. No Brasil, FHC começou o modismo das privatizações, ao utilizar esse instrumento não para resolver um problema de Estado, mas simplesmente para saldar débitos fiscais, o que é pior ainda do que ser uma proposta ou visão de Estado.
O que assistimos com esse governo ilegítimo, além do golpe político, é o golpe no próprio Estado com o anúncio ou a intenção de privatizar 75 empresas ou parcerias públicas de patrimônio brasileiro.
A privatização da Eletrobras, atualmente a mais cobiçada do pacote de privatizações, entrega na mão do capital privado um bem essencial que é a nossa energia elétrica, de que depende a sobrevivência de 100% dos que vivem na área urbana e a maioria que vive em área rural. O que há ainda por trás da privatização das hidrelétricas é quem controla a água que passa por ela. Mundo afora as grandes corporações já debatem o valor da água enquanto nosso país não protege um dos seus maiores bens. A soberania do Brasil está em jogo.
Nós defendemos que as estatais tenham papel social. São as grandes estatais que promovem o conhecimento e a pesquisa, como foi o caso da descoberta do Pré-Sal. O setor naval no Rio de Janeiro chegou a gerar 70 mil empregos e hoje, com o desmonte praticado por esse governo ilegítimo, não passam de 5 mil trabalhadores.
As empresas públicas são grandes indutoras do desenvolvimento por conta do aporte de recursos na economia, papel que as empresas privadas não fazem.
Essa é a diferença de visão do papel social com presença mais forte do Estado, retendo para si aquelas empresas que são de fato produtivas e entregando para a iniciativa privada o que o Estado não precisa fazer.
O que esperamos para os próximos quatro anos é um governo que não entregue para os lobos os bens públicos, que são da população, como estão fazendo com o Pré-Sal, a Embraer e as hidrelétricas. O governo tem que ter comprometimento com o que é público, com capacidade de intervir fortemente, principalmente para sair de momentos de crise.
Da Redação.