Ford: Trabalhadores, famílias e sonhos

Fotos: Adonis Guerra

“Essa notícia foi muito difícil para nós, como se fosse uma porrada, mas a fé move montanhas e tenho certeza que essa reunião com o pessoal dos Estados Unidos já é uma luz. Eu tenho uma filha de 18 anos que está sofrendo muito com essa decisão”.

Fábio Félix da Silva, na Ford há 23 anos, FAI Trucks

“Quando eles chegaram com essa notícia foi um choque. Imagina dois na família praticamente desempregados. Eu estou trabalhando há dois meses, fiquei fora do mercado de trabalho por quase um ano e sei como está difícil a recolocação profissional. A renda do meu marido é 90% da renda da família. A Ford é só a primeira, as pessoas precisam analisar isso e parar de pensar no próprio umbigo, estamos lutando pelo todo”.

Fabiana Félix, casada com David de Oliveira do Amaral, trabalhador na Ford há 11 anos, e irmã de Fábio Félix

“Eu era terceirizada e fui efetivada, foi um sonho realizado. É uma empresa para ter uma vida tranquila e se aposentar. Meu esposo está desempregado, minha filha está com 17 anos e o mercado está difícil para quem está começando, se eu perder o emprego vai ser complicado demais. Por isso estou na luta e apoio completamente a campanha, a Ford não tem que vender nenhum carro até reverter a decisão”.

Iraci Rosa Silva Gomes com a filha Gabriele, na Ford há 5 anos, na célula I

“Entrei em 2007 num acordo do Sindicato que contratava mulher, trabalhador com mais de 40 anos e quem não tinha terminado a escola. Estava confiante com a vinda de um novo produto, mas o anúncio pegou todos de surpresa. Foi uma bomba! Moro com meus pais e meu irmão, a minha renda é a maior da casa, sem ela vai ficar difícil. Confesso que estou perdida, mas acredito que dá para reverter como foi em 98”.

Lígia Ribeiro Paiva, na Ford há 11 anos, na logística

“Fui demitido em 1998 e graças à luta retornei para a fábrica. Agora, mais uma vez, é luta. Semana passada voltou o filme de terror na cabeça. Mais uma vez, depois de tantos anos, a Ford fez um absurdo desses. A energia da caminhada é de vontade de vencer. Meu filho de 17 anos começou a faculdade e expliquei para ele. O recado é vamos reverter, com fé, esperança e unidade. Não vamos baixar a cabeça”.

Gean Carlos de Almeida, na Ford há 26 anos, na logística

“Estava nas 2.800 demissões de 1998 e veio na mente tudo o que passamos naquele ano. Em 1999 foi uma angústia danada e conseguimos retornar para a fábrica. Desta vez esperava até um pacote de maldades da fábrica, mas o anúncio da Ford foi um baque e um balde de água fria. Estou esperançoso na luta para que possamos continuar sonhando na vida, não vamos desistir”.

Fabrício Caetano Sgarbi, o Bola, na Ford há 23 anos, na manutenção

Da Redação