Indústria X Bancos: Empresas vencem após dez anos

Em 2004, pela primeira vez nos últimos dez anos, o crescimento das empresas do setor produtivo – sobretudo indústrias – foi maior que dos bancos. Ele é fruto do aumento das exportações e da recuperação do PIB (Produto Interno Bruto, a soma bens e serviços produzidos pelo País em um ano) que atingiu 5,2% no ano passado.

A vitória do setor não financeiro aconteceu porque o governo federal mudou a prioridade dos investimentos e parou de incentivar a área financeira, como fazia a administração FHC. O resultado desta política foi a criação de mais de dois milhões de empregos com carteira e a volta do crescimento econômico depois de anos de estagnação.

Para se ter uma idéia do salto, levantamento da consultoria Economática mostra que o lucro líquido (abatidas as despesas) de empresas negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo ultrapassou R$ 250 bilhões em 2004, o que corresponde a um salto de 45% em relação a 2003.

Isto não significa que os bancos pararam de crescer. Eles aumentaram seus lucros de 21% para 22% (totalizando R$ 100 bilhões); ainda lideram a classificação de empresas mais lucrativas do ano (o Itaú, com R$ 3,7 bilhões) e a lista dos dez maiores lucros do ano traz quatro bancos e seis empresas.

Dessas, quatro estão na área siderúrgica, que lucrou como nunca e chegou a reajustar seus produtos em 80%. Mesmo assim, a campeã do setor lucrou menos que o Itaú, chegando a R$ 3,2 bilhões. A Economática não considerou o balanço da Petrobrás, com lucros de R$ 18 bilhões, porque poderia distorcer as comparações.

2005 ainda é dúvida

A questão agora é se esse comportamento se repetirá neste ano. Semana passada o governo comemorou a marca de R$ 270 bilhões em exportações em 2004 e espera atingir R$ 300 bilhões em 2005. Mas existem dúvidas em relação ao mercado interno.

Os últimos indicadores apontam para queda no ritmo da produção industrial e das vendas em relação a 2004. Com isso, muitos empresários falam em engavetar projetos, o que traria desemprego e queda no crescimento. O medo deles é a taxa de juros voltar a subir.

O Banco Central anuncia novo índice amanhã. Os pessimistas falam em 0,5% de aumento. Os otimistas em 0,25%. Mal sinal nos dois casos.