Memória: A caminho da CUT – Central completa hoje 36 anos de atuação em defesa da classe trabalhadora

Fotos: Congresso de fundação da CUT no galpão da extinta companhia cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, em 1983. (Acervo: Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo) 

Quase duas décadas depois do golpe militar, vivia-se um momento significativo para a luta do sindicalismo brasileiro. Trabalhadores se organizavam contra um aumento do desemprego e do arrocho salarial e também por melhores condições de trabalho, de vida e de saúde. Mobilizavam-se ainda por liberdade de organização, liberdades políticas e aumentos salariais. No final da década de 70 e início dos anos 80, paralisações na cidade e no campo já haviam impulsionado a luta de diversos trabalhadores espalhados pelo Brasil.

Entretanto, o movimento sindical brasileiro atuante estava dividido em duas posições: os que queriam a criação da Central e os que eram contrários a ela, impedindo a sua concretização em 1982, ano seguinte a realização da primeira Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, 1ª CONCLAT, na Praia Grande, litoral paulista.

O argumento dos sindicalistas da Unidade Sindical era de que a criação de uma Central causaria, naquele momento de abertura política, um confronto com o governo.

Em 21 de julho de 1983, o movimento sindical deflagrou greve geral, a primeira durante a ditadura e que teve adesão direta de mais de dois milhões de trabalhadores dos setores público e privado do País. Aquela foi a maneira encontrada para responder à política econômica do governo, responsável por decretar um pacote de leis que arrochava os salários, aumentava o desemprego e sucateava as empresas estatais.

Após a greve geral, avaliada positivamente pelo movimento sindical, voltou-se a discutir sobre o Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, marcado para agosto pela Comissão Nacional Pró-CUT – organismo unificado e que acomodava o Sindicalismo Combativo e a Unidade Sindical, cada um dos seus respectivos aliados.

Mais uma vez, como haviam feito no ano anterior, os sindicalistas da Unidade Sindical propuseram o adiamento do congresso, mas isso não foi aceito pelo setor combativo e seus aliados, que mantiveram sua convocação e organização, então fortalecidos pelo sucesso da greve geral.

Em 28 de agosto de 1983, depois daquele período de intensas disputas, a maioria dos 5.059 delegados e delegadas de 912 entidades sindicais de todo o Brasil, sob os gritos de “A CUT pela base” no galpão da extinta companhia cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, aclamaram a fundação da Central Única dos Trabalhadores que, já no seu nascimento, representava 12 milhões de trabalhadores da cidade e do campo.

Assista ao documentário CUT pela base, produzido em 1984 por Cláudio Kahns, da Tatu Filmes, e dirigido por Renato Tapajós em https://bit.ly/342h1Qn.

 

CEMPI – Centro de Memória, Pesquisa e Informação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC