Memória como disputa: a tarefa de resgatar os oprimidos dos escombros da história

Embalados pelos protestos antirracistas nos Estados Unidos, no dia 7 de junho, em Bristol, na Inglaterra, cerca de 10 mil manifestantes arrancaram a estátua de Edward Colston (1636-1721) de seu pedestal e a rolaram até o rio Avon, onde foi jogada sob gritos e aplausos da multidão.

Foto: Divulgação

Colston foi membro do Parlamento Britânico e sócio da Companhia Real Africana, que traficou 84 mil escravos para América do Norte. Destes, 19 mil morreram nos porões dos navios durante as terríveis travessias.

Um dos alvos de manifestação antirracista no Brasil foi a estátua de 13 metros de altura do bandeirante Manoel Borba Gato (1649-1718), em Santo Amaro, São Paulo. O racismo estrutural precisa construir significados e símbolos para justificar a opressão de uma forma naturalizada: os bandeirantes são apresentados como conquistadores corajosos e destemidos fundadores da sociedade paulista, enquanto os milhares de indígenas mortos e escravizados por eles ficaram desaparecidos embaixo dos escombros da história.  

Como nos alertou Walter Benjamim, filósofo alemão (1892-1940), a história é escrita pelos vencedores e eles fazem dessa história a sua imagem redentora. Por isso, “é preciso escrever a história a contrapelo, a história dos vencidos. O sujeito do conhecimento histórico é a própria classe combatente e oprimida. A história da luta de classes não pode ser representada como despojos atribuídos ao vencedor”.

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