Metalúrgicos do ABC debatem os impactos do Tratado entre Mercosul e União Europeia
Os diretores executivos do Sindicato, Wellington Messias Damasceno e Carlos Caramelo, estiveram em reuniões na segunda-feira, dia 2, em Brasília, para debater os impactos que o tratado de livre comércio entre Mercosul e União Europeia terão para os trabalhadores na indústria e no campo.
O encontro organizado pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos com a Seção de Comércio da União Europeia no Brasil, discutiu a falta de participação da sociedade civil brasileira no tratado comercial e a falta de transparência do governo brasileiro.
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Foto: Divulgação
“Temos denunciado que tanto o governo Temer quanto o governo Bolsonaro precipitaram-se nas negociações e omitiram o conteúdo do tratado. Alertamos que este acordo coloca em risco os diversos ramos de atividade econômica do país e, principalmente, deixamos claro os perigos da abertura irrestrita do comércio com a União Europeia para a nossa já fragilizada indústria”, afirmou Wellington.
O dirigente destacou que a reforma Trabalhista e a ambição do governo têm gerado ainda mais precarização das condições de trabalho.
“O governo está incentivando as empresas a jogarem a conta da competitividade nas costas dos trabalhadores. Ao invés de investirem em melhorias nos processos produtivos, apelam para a retirada de direitos e aumento da exploração. É dessa forma que querem ser competitivos com as empresas europeias”, prosseguiu.
Participaram representantes da Via Campesina e do MST, que denunciaram a ofensiva do agronegócio brasileiro, as incoerências em relação aos agrotóxicos proibidos na Europa e liberados no Brasil e ao desmatamento e invasão de territórios indígenas e quilombolas para aumentar a área de pastagem de gado.

“A reunião teve como objetivo apontar para as violações dos direitos dos trabalhadores, no campo e na cidade, cometidas pelo governo e alertar a União Europeia sobre estas situações”, contou Caramelo.
“A partir desse debate, propomos uma agenda de trabalho para que possamos ser informados dos termos do tratado e denunciar as divergências entre o que está estabelecido e o que acontece na prática para que a União Europeia possa cobrar providências do governo brasileiro”, destacou o dirigente, que também integra o Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana).
No Senado
Em reunião com a assessoria do PT no Senado, com a participação do senador Rogério Carvalho, líder do partido na Casa, os diretores trataram de temas que preocupam o Sindicato, entre eles a desindustrialização, a falta de ação dos governos, o desenvolvimento econômico e economia solidária.
“Também iniciamos uma discussão sobre veículos elétricos e a importância da cooperação entre o Congresso e o Sindicato neste tema”, afirmou Wellington.