Milhões seguem desempregados, enquanto governo divulga criação de vagas precárias
Boa parte dos empregos gerados em 2019 são na modalidade intermitente, 12 milhões continuam desempregados e 24 milhões sobrevivem por conta própria

Foto: Divulgação
Enquanto o povo brasileiro segue sofrendo nas tortuosas filas na busca por um emprego digno, o governo Bolsonaro se vangloria com a divulgação de 644 mil novos postos de trabalho formais em 2019, segundo dados do Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged).
Cabe destacar que parte considerável desses empregos, 85 mil, também segundo o Caged, são para o chamado trabalho intermitente, modalidade precária de contratação, criada pela reforma trabalhista, em que o trabalhador fica à disposição do empregador, mas só recebe as horas trabalhadas.
O resultado, recém apresentado pelo Ministério da Economia, é a diferença entre contratações e demissões. Em 2019, foram 16.197.094 admissões contra 15.553.015 demissões. Sendo assim, o número que realmente causa alarde é o de 12 milhões de pessoas desempregadas no país no final de 2019, isso de acordo com o IBGE. Ainda segundo o Instituto, mais de 26 milhões de trabalhadores estão subutilizados.
Do total de empregos criados, 145.475 vagas foram abertas no comércio e 382.525 no setor de serviços. Ou seja, das 644 mil vagas, a esmagadora maioria, 582 mil, são nessas duas áreas. O governo também informou que o salário médio de admissão foi de R$ 1.595,53. Para o secretário-geral do Sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva, é preciso avaliar a qualidade desses empregos.
“Nessas duas áreas, comércio e serviços, os empregos têm menos proteção social, menos benefício, os salários são mais baixos e há maior rotatividade. Nós, enquanto defensores dos direitos dos trabalhadores, precisamos lutar para que sejam criados postos de trabalho de qualidade. O governo não está discutindo políticas de geração de emprego decente, está se aproveitando do alto número de desempregados para criar qualquer tipo de vaga e precarizar mais as que já existem. O resultado prático disso é o expressivo número de contratações na modalidade intermitente que não supre a necessidade básica do trabalhador”.
O diretor lembrou que também estão sem direitos garantidos os trabalhadores que sobrevivem hoje por conta própria. São 24,6 milhões de pessoas nesse tipo de ocupação, um recorde da série histórica da PNADC (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua), realizada pelo IBGE.
“O governo e boa parte da mídia tentam, a todo custo, enaltecer o empreendedorismo, sem dizer que nessa modalidade estão inseridos os entregadores e motoristas de aplicativos, engraxates, vendedores ambulantes e toda espécie de trabalhador que rala o dia todo, mais de 10, 12 horas por dia sem nenhum benefício ou proteção social e com salários baixos”.
“Precisamos estar alertas à votação da Medida Provisória 905/2019, que institui a Carteira de Trabalho Verde e Amarela, e deve voltar à discussão na próxima semana no Congresso. O governo defende essa medida para geração de empregos entre os jovens, porém os empregos gerados, se forem gerados, serão sem qualidade e direitos, já que a medida é um aprofundamento da reforma Trabalhista que surgiu com a mesma promessa, mas não se concretizou”, finalizou.
Pleno emprego
Apenas como comparativo, no primeiro ano do governo Lula em 2003, foram gerados 800 mil postos de trabalho. No primeiro ano do segundo mandato (2007), a geração de empregos formais chegou a 1,9 milhão empatando com o primeiro ano de governo da presidenta Dilma Rousseff (2011).