Movimentos reivindicam fim do genocídio da juventude negra

Fotos: Roberto Parizotti

Os Metalúrgicos do ABC se juntaram aos manifestan­tes dos movimentos negros na 14ª Marcha da Consciên­cia Negra, na segunda-feira, dia 20, em São Paulo. Os temas deste ano foram a luta contra o racismo, pelo fim do genocídio e por políticas públicas para os negros.

“A Marcha reverencia Zumbi dos Palmares e Dan­dara, símbolos da resistên­cia negra, e cumpre papel importante em uma grande unidade dos movimentos em torno da pauta”, afirmou o secretário de Combate ao Racismo do PT-SP, Tiago Soares.

A concentração foi no vão livre do Masp, na Av. Paulis­ta. “A CET não compareceu à reunião da comissão orga­nizadora e, junto à Polícia Militar, a Prefeitura de São Paulo queria impedir o even­to. Mesmo assim realizamos uma bela marcha de resistên­cia até o Teatro Municipal com as atividades culturais previstas”, contou.

A diretora do Instituto Lula, Tamires Sampaio, que foi a primeira mulher negra eleita presidenta do Centro Acadêmico de Direito do Mackenzie, explicou a im­portância do encontro.

“A Marcha da Consciência Negra é um ato de resistência e de afirmação. Resistência porque vivemos em um País em que dois terços da his­tória foram marcados pela escravidão e, até hoje, vemos os reflexos do racismo estru­tural na sociedade”, explicou.

“Denunciamos o geno­cídio da população negra, que desde a abolição vive um processo de criminali­zação, encarceramento em massa e de extermínio. Com o golpe, isso fica ainda mais escancarado, pois todos os retrocessos que o desgover­no está causando atingem diretamente a população negra”, afirmou.

Entre os ataques estão a redução dos investimentos em educação e saúde, com os cortes no ProUni, Fies e Bolsa Família, as reformas Trabalhista e da Previdência.

“Tudo isso atinge direta­mente os negros e negras do nosso País. E é aí que vem a importância da Marcha e sua característica de afirmação, pois a população negra, por mais que passe por isso tudo, resiste e ocupa as ruas de­nunciando todos esses ata­ques e retrocessos”, concluiu.

Da Redação.